Merkel ficou perto da maioria absoluta

Partido de Angela Merkel com 41,5%, segundo resultados oficiais provisórios. O FDP (4,8%), actual parceiro de coligação, fora do Parlamento. Sociais-democratas com 25,7%.

Foto
Merkel conseguiu o melhor resultado da CDU desde a reunificação Fabrizio Bensch/Reuters

Os democratas-cristãos de Angela Merkel foram o partido mais votado das legislativas alemãs deste domingo. Segundo os resultados oficiais provisórios, a CDU/CSU obteve 41,5% dos votos, ficando muito próxima da maioria absoluta, algo que não acontece na Alemanha desde 1957 (Konrad Adenauer).

Merkel obteve mais 7,8 pontos percentuais do que em 2009, dando à CDU o melhor resultado desde a reunificação da Alemanha.

O FDP, parceiro de coligação de Merkel, não conseguiu passar a barreira dos 5%. Ficou-se pelos 4,8% e ficará pela primeira vez fora do Bundestag desde a sua fundação, em 1949.

PÚBLICO -
Foto

Os sociais-democratas (SPD) reuniram 25,7%. O partido de esquerda Die Linke conseguiu 8,6% e os Verdes 8,4% - um resultado muito aplaudido pelos apoiantes de Merkel, porque tornava impossível a coligação "natural" SPD-Verdes. Mas o maior aplauso veio ainda a seguir com os 4,7% do partido antieuro Alternativa para a Alemanha (AfD), que assim não entra no Parlamento.

Que coligação?
Com a maioria absoluta fora de hipótese, coloca-se agora a questão de saber com quem governará Merkel: com o SPD, que obteve uma subida de 2,7 pontos percentuais, ou com os Verdes, que desceram 2,3 pontos percentuais.

Segundo as projecções da ZDF, a CDU terá 301 deputados num Parlamento de 606 - é incrível porque quase chega a maioria absoluta (o Parlamento alemão tem sempre um número variável de deputados, porque tem um sistema misto de dois votos, um directamente em candidatos de círculos eleitorais e outro no partido, e quando há mais candidatos eleitos directamente do que a percentagem de um partido, ficam assim com os chamados Überhangmandate, mandatos a mais - mas como este sistema beneficiava os grandes partidos, este ano há os Ausgleichmante, que pretendem equilibrar os outros).

"Angie! Angie!"
Angela Merkel não demorou a vir cumprimentar os seus apoiantes e congratular-se com o "super resultado". Recebida com gritos entusiastas "Angie! Angie!", agradeceu a todos - e em especial ao marido, que estava ao lado do palco, e olhou pouco à vontade para as câmaras que se viraram para si (foi uma raríssima aparição do marido de Merkel num evento político).

Ainda é cedo para falar de coligações, disse a chanceler. A sala continua num ambiente eufórico, há jovens a saltar e a cantar, saboreando a vitória eleitoral como se estivessem num jogo de futebol. Mesmo sem maioria absoluta, este foi o melhor resultado para a CDU desde as eleições de 1990, as primeiras depois da reunificação.

Uma das particularidades do sistema político alemão é que devido ao limite de 5%, a percentagem para uma maioria absoluta é a relação entre os diferentes partidos que ultrapassam esta percentagem e entram no Parlamento. Assim, a CDU teve 41,5%, e a oposição 42,7% - uma diferença não muito grande, que se fosse em sentido contrário poderia permitir que o partido de Merkel tivessse maioria absoluta, uma hipótese quase incrível já que não acontece na Alemanha há mais de 50 anos.

A participação nas eleições deste domingo foi de 71,5%, mais do que em 2009, quando tinha caído para um mínimo de 70%.