Primeiro filme americano antinazi esteve 75 anos num cofre

Hitler’s Reign of Terror vai ser exibido em Nova Iorque já em Outubro, depois de ter sido restaurado. A única cópia sobrevivente de um filme que se julgava perdido, redescoberta em Bruxelas, ficou esquecida nos arquivos

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No começo dos anos 1930, Cornelius Vanderbilt IV, o herdeiro de uma riquíssima família de industriais americana, andava a viajar pela Europa, como convinha a um jornalista-aprendiz da época com dinheiro suficiente no bolso para o fazer. Está em Berlim a 5 de Março de 1933, dia em que o partido nazi ganha as legislativas, deixando Hitler e os seus apoiantes em clima de euforia e muitos judeus em fuga. Vanderbilt, então com 35 anos, filma paradas e desfiles de tropas, mas também os que, antecipando a catástrofe, arrumam as malas e decidem partir.

Regressado aos Estados Unidos, Vanderbilt monta as imagens que traz – umas feitas na Alemanha, mergulhado em locais públicos e mostrando nazis a maltratar judeus ou a queimar os seus livros e a saquear lojas, outras resultando de entrevistas ou de uma ida à Áustria, onde regista motins durante cerimónias militares – num tempo recorde.

O seu filme, Hitler’s Reign of Terror, próximo de um registo documental a preto e branco com pouco mais de uma hora a que não falta sequer uma entrevista encenada que junta Vanderbilt e o ditador, estreia em Abril de 1934 num cinema da Broadway, em Nova Iorque, segundo a Agência France Presse (AFP). A carreira da longa-metragem é curta, graças à intervenção do embaixador da Alemanha em Washington e a americanos influentes que temiam ver afectadas as relações económicas com Berlim.

O desconforto era natural já que o filme chegava à conclusão, explica a AFP, de que a Alemanha de Hitler era uma ameaça à paz mundial. Vanderbilt não se enganou.

É este Hitler’s Reign of Terror, que até aqui se julgava perdido e que foi redescoberto há dois anos na cinemateca de Bruxelas, que será exibido a 26 de Outubro, no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque, depois de ter sido sujeito a um processo de restauro.

“O interesse deste filme não é cinematográfico – ele é mal montado e mal filmado -, mas histórico”, disse à AFP Bruno Mestdagh, da cinemateca belga, onde o filme foi identificado numa velha caixa de película, lembrando que Vanderbilt diz ter sido o único jornalista americano a entrevistar Hitler no dia da vitória eleitoral, algo que nunca foi provado.

O que é facto é que o jornalista encena no filme uma entrevista em que pergunta ao seu falso-Hitler, entre outras coisas, quais são os seus planos para os judeus. Foi esta e outras “invenções” que levaram Mordaut Hall, então um dos mais respeitados críticos de cinema do diário The New York Times, a tecer duras críticas a Hitler’s Reign of Terror pouco depois da estreia, escrevendo que não era longa-metragem que merecesse o jornalista ter arriscado a liberdade e até a própria vida para fazer sair o material filmado da Alemanha.

Apesar de tudo, disse Mestdagh à agência de notícias Reuters, o filme foi um sucesso à data da estreia, embora a pressão diplomática germânica obrigasse depois à sua revisão, estreando noutras cidades mas sem entusiasmar audiências. Por causa da censura mudou até de título, passando convenientemente a Hitler Reigns.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  
 

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