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2015: não há partidos políticos, mas há saúde e emprego

Dentro de dois anos estaremos melhores. Melhores seres humanos, melhores cidadãos e melhores profissionais, seja em que área for

Querido diário, nesta terça-feira, vinte e dois de setembro de dois mil e quinze, acordei com um sorriso na cara. Por nenhum motivo em particular, mas por todos os motivos em geral. Temos aí um mundo giro onde viver. Desde há uns anos para cá que a vida tem melhorado substancialmente. Senão vejamos. 

Os conflitos armados resolveram-se (e já não era sem tempo). Desde o aclamado um de janeiro de dois mil e catorze, dia mundial da paz, em que a ONU aprovou de forma unânime que as guerras só se podem fazer com flores e gomas, que já ninguém se magoa a discutir isto ou aquilo. Assad já lá vai, bem como os Mugabes, os Kim Jong-Uns e os Ahmadinejads doutros tempos. Já não há empresas de armamento, mas os mercados andam a rejubilar de cor e bons aromas com tanto florista.

A ciência, por seu lado, conseguiu acabar com grande parte das ameaças que o cancro colocava à espécie humana. Parece que foi ontem; ainda no malogrado 2013 morriam milhões às mãos de tumores malignos. O HIV, esse, faz também parte da História. Agora divertimo-nos a dar passeios pelos areais do Mar da Tranquilidade e pelas montanhas de Cydonia. Aqueles que ainda não foram à Lua ou a Marte, façam-no. Experiência única de uma vida. Digo-vos eu, que já lá estive.

É divertido ver que a ciência nos resolveu milhares de problemas. Trabalhamos menos, divertimo-nos mais, temos mais tempo para dar o valor merecido à cultura. A vida, mais que nunca, tornou-se numa alegria plena.

Tecnocratas sensíveis?

Portugal? Bom, Portugal está melhor. Especialmente desde junho de 2014, quando os partidos políticos acabaram e conseguimos reunir um extraordinário grupo de sensíveis tecnocratas capazes de resolver grande parte dos problemas de maior deste país. Não falta saúde nem emprego a ninguém. Há bons professores para todos e anda tudo feliz com os media – em especial com o P3; não há jovem que o não conheça.

Hoje, estamos todos mais felizes. O engraçado é que, se alguma destas coisas fosse contada a um de nós, há apenas dois anos, rebolaríamos de riso por tamanhas fantasias. Mas assim é, cá andaremos, com uma cada vez maior fezada nas dignidade e qualidade humanas.

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Até pode nem vir a ser assim. Dois mil e quinze está já aqui ao lado e há mudanças que levam o seu tempo. Mas uma coisa é certa: dentro de dois anos estaremos melhores. Melhores seres humanos, melhores cidadãos e melhores profissionais, seja em que área for. Acredito nisso, com algumas reservas. Acho que sou um céptico optimista.

P.S.: Há que dar crédito à inspiração inegável que a canção “Optimista céptico”, da autoria de Jorge Palma, teve para este texto.