Domingos Névoa quer mais de 130 ME de indemnização pelo "processo Bragaparques"

O empresário Domingos Névoa garantiu nesta quinta-feira, em Braga, que teve um prejuízo “muito superior” a 130 milhões de euros com o “processo Bragaparques” e acrescentou que “alguém vai ter de pagar por isso”.

“Só em termos materiais, o meu prejuízo com todo este processo é muito superior a 130 milhões de euros. Mas depois há ainda que somar o prejuízo não patrimonial, o prejuízo psicológico, para mim e para a minha família. Alguém vai ter de pagar por isso”, disse Domingos Névoa, administrador da Bragaparques, no final da apresentação do livro “Bragaparques: a hora da verdade”, escrito pelos seus três filhos.

Num depoimento emocionado, afirmou-se “injustiçado” em todo este processo e garantiu que nunca subornou ninguém e que apenas quis investir em Lisboa, que considera ser a sua “segunda cidade”.

O caso remonta ao início de 2005, quando a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou por maioria, com excepção da CDU, a permuta dos terrenos do Parque Mayer, então detidos pela empresa Bragaparques, com parte dos terrenos municipais da antiga Feira Popular, em Entrecampos.

A intenção da Bragaparques era construir um shopping, o que nunca conseguiu por causa da acção popular que o advogado José Sá Fernandes moveu para travar a permuta.

José Sá Fernandes tornou-se entretanto vereador na Câmara de Lisboa e Domingos Névoa foi acusado de o ter tentado subornar, alegadamente através da oferta de 200 mil euros para que ele desistisse da acção popular e defendesse publicamente o negócio.

A alegada tentativa de suborno terá sido registada em conversas que Névoa manteve com o irmão daquele vereador, o advogado Ricardo Sá Fernandes, conversas que este gravou à revelia.

Hoje, Névoa negou tudo, garantindo que nunca ofereceu dinheiro nenhum e que Ricardo Sá Fernandes apenas divulgou excertos das conversas, “completamente descontextualizados”, para “dar a ideia de que houve mesmo suborno”.

Em Janeiro de 2012, Névoa acabou condenado, pelo Supremo Tribunal de Justiça, a cinco meses de prisão por um crime de corrupção activa para ato ilícito, uma pena suspensa por um ano mediante o pagamento de 200.000 euros ao erário público.

No entanto, como hoje disse o empresário, o processo “já tinha prescrito”, pelo que acabou por não cumprir pena nenhuma.

“Agora, que todos os processos que me envolviam terminaram, é chegada a minha hora de pedir contas, por todos os prejuízos que sofri ao longo de todos estes anos”, referiu.

Sem especificar a quem vai pedir contas, apenas destacou as “trapalhadas” no dossiê Parque Mayer do então presidente da Câmara de Lisboa, Pedro Santana Lopes, a sua alegada “aliança” com Américo Amorim para a construção de um casino na zona da Expo e a “armadilha” montada por Ricardo Sá Fernandes para “promover” o seu irmão na Câmara da capital.

“Há aqui muita matéria para trabalhar, mas isso ficará a cargo da minha advogada”, rematou.