Combate ao desemprego no topo das prioridades dos candidatos a Sintra

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Basílio Horta saiu à rua com Freitas do Amaral e Jorge Sampaio; Marco Almeida visitou o canil e passeou com António Capucho Fotos: Bruno SimÕes Castanheira

Basílio Horta promete terrenos, licenciamentos rápidos e baixa de impostos a quem criar emprego e Pedro Pinto defende uma aposta no turismo. Marco Almeida fala na criação de "um Estado Social local"

Um concorre à Câmara de Sintra pelo PS e outro pelo PSD, mas há pelo menos uma coisa que os une, além do facto de serem ambos criticados pela candidatura do independente Marco Almeida pelo seu alegado desconhecimento do concelho: tanto Basílio Horta como Pedro Pinto elegem como prioridade o combate ao desemprego.

Basílio Horta promoveu ontem um almoço com algumas figuras de peso da política nacional, que integram a sua comissão de honra, incluindo o ex-Presidente da República Jorge Sampaio e o antigo ministro Diogo Freitas do Amaral, como Basílio Horta um candidato presidencial derrotado que veio do CDS para o espaço do PS. Sampaio elogiou o candidato a Sintra, que presidiu à Agência para o Investimento e Comércio Externo, por considerar que se trata de alguém capaz de dar "projecção nacional e internacional" à vila, colocando-a no "mapa do investimento". Já Freitas do Amaral disse estar "sinceramente convencido" de que Basílio Horta, seu "velho e grande amigo", "fará um grande lugar de presidente".

"Ter passado político é importante. Fiz muitas coisas boas e eventualmente outras menos boas", disse por sua vez Basílio Horta, defendendo que a sua experiência "é uma garantia para o futuro". Questionado sobre as suas prioridades para Sintra, o independente que concorre pelo PS destacou o combate ao desemprego, algo que em seu entender só se fará conquistando investimento para o concelho. Aos privados que criarem postos de trabalho o candidato promete disponibilizar terrenos camarários abandonados, agilizar processos de licenciamento e reduzir impostos municipais.

Quanto à sua abertura para trabalhar com a oposição, caso vença as eleições, Basílio Horta disse estar disponível para entregar pelouros a todos os que se revejam no seu "projecto ganhador". "É um projecto aberto, para ser partilhado e enriquecido. Não perguntarei a ninguém de onde vem, só para onde quer ir", acrescentou, sublinhando a necessidade de "abrir Sintra aos sintrenses, ao país e ao mundo".

Também Pedro Pinto, que ao fim da tarde de ontem realizou uma acção de contacto com a população e com os comerciantes em Queluz, elege o combate ao desemprego como bandeira. Mas as suas soluções para o conseguir são outras: promover uma aposta na agricultura e na indústria e principalmente no turismo. Entre as ideias do candidato social-democrata estão a abertura de um aeroporto low cost na base aérea militar de Sintra, a conversão de antigas quintas em hotéis de charme e a criação de uma feira popular.

O candidato diz-se "seguro" da sua vitória, apesar de as mais recentes sondagens a atribuírem a Basílio Horta, e aponta como mais-valia a sua experiência como autarca e deputado. "Sintra é maior do que muitos países, não é para qualquer um, é para quem está preparado para governar. Não se pode vir para este concelho aprender", afirmou Pedro Pinto, ao som do hino da sua candidatura e com dezenas de bandeiras verdes agitando-se ao vento como pano de fundo.

"Minimizar" a crise

Já Marco Almeida, que concorre como independente à presidência da Câmara de Sintra, explica que a sua ambição é criar "um Estado social local", que é como quem diz adoptar um programa municipal capaz de "minimizar os impactos que a crise faz sentir" em áreas como educação, saúde e emprego. "Temos de salvar as famílias da situação que o PS, o PSD e o CDS criaram", defendeu o candidato, que é vice-presidente da autarquia, eleito pelo PSD.

O autarca, que ontem visitou o canil municipal, afirmou que nas deslocações que tem feito a diferentes "instituições do poder público central" no âmbito da campanha eleitoral, como centros de saúde e esquadras da PSP, se tem deparado com "situações de grande constrangimento, de falta de meios humanos e materiais". Algo que Marco Almeida considera "inadmissível".

Este problema foi também destacado por António Capucho, cabeça de lista à Assembleia Municipal de Sintra, que diz que é "uma treta" a ideia de que há um excesso de funcionários públicos em Portugal. O ex-secretário-geral do PSD critica o regime de requalificação gizado pelo Governo, defendendo que nada deve ser feito nesta área até estar concluída a reforma do Estado.

Como proposta concreta, Marco Almeida aponta a assinatura de um contrato local de segurança, algo que em seu entender obrigará o Governo a apetrechar as unidades de segurança com mais meios. Quanto à saúde, o candidato independente mostra-se disponível para receber competências do poder central, nomeadamente a gestão do pessoal não médico e de enfermagem.

Questionado sobre a possibilidade, avançada por várias sondagens, de ter um resultado eleitoral superior ao do candidato escolhido pelo PSD, Pedro Pinto, Marco Almeida recusou pôr a questão nesses termos. "Não me move nada contra ninguém. Não apresento a minha candidatura contra ninguém, nem contra nenhum partido", afirmou, sublinhando que a sua candidatura "tem identidade, é feita por gente de Sintra, que fez por Sintra".

Uma ideia que foi também destacada por António Capucho, segundo quem Marco Almeida "conhece todos os recantos de Sintra". Já Basílio Horta, candidato do PS, e Pedro Pinto, do PSD, "fazem promessas absolutamente exóticas" e estão "a anos luz" do independente no que diz respeito ao conhecimento do concelho, acusa o número um da lista à assembleia municipal.

Questionado sobre se estará disposto a entregar pelouros aos seus opositores, caso vença as eleições, Marco Almeida disse ter para Sintra "um projecto alicerçado", acrescentando que todos aqueles que nele se "encaixarem" serão "bem-vindos". "Temos de nos habituar a governar em coligação. É o que está a acontecer a nível nacional", defendeu por sua vez António Capucho. O ex-presidente da Câmara de Cascais acredita que Marco Almeida pode "fazer mudar a história das autarquias no país". "Se os partidos perderem um conjunto de autarquias significativas para os independentes, será uma situação muito interessante", concluiu.

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