As marcas e as histórias de quem abortou

Cinco mulheres norte-americanas contam na primeira pessoa a experiência de interromper a gravidez.

Leigh tem 26 anos e é empregada num bar na Pensilvânia. Tinha 21 quando engravidou e aborto. "Não foi uma coisa leve. Foi preciso cada centímetro de força dentro de mim para conseguir fazê-lo mas sabia que era a decisão certa. Não me arrependo mas acho que não teria estômago para fazê-lo de novo. Ainda estava a estudar. Estava a um ano de me licenciar e a tentar pagar contas, entre um part-time, trabalho, estudar" REUTERS/Allison Joyce
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Leigh tem 26 anos e é empregada num bar na Pensilvânia. Tinha 21 quando engravidou e aborto. "Não foi uma coisa leve. Foi preciso cada centímetro de força dentro de mim para conseguir fazê-lo mas sabia que era a decisão certa. Não me arrependo mas acho que não teria estômago para fazê-lo de novo. Ainda estava a estudar. Estava a um ano de me licenciar e a tentar pagar contas, entre um part-time, trabalho, estudar" REUTERS/Allison Joyce

Cinco mulheres norte-americanas contam na primeira pessoa a experiência de interromper a gravidez.

"O teste veio e deu positivo. Ele deixou claro que a escolha era minha. Mas também foi muito honesto sobre o caminho que as coisas iam tomar com esta ou aquela decisão. Isto muda-te. Antes jurava que não queria casar, ter filhos. Agora quero ter 2 filhos e eventualmente casar."
"O teste veio e deu positivo. Ele deixou claro que a escolha era minha. Mas também foi muito honesto sobre o caminho que as coisas iam tomar com esta ou aquela decisão. Isto muda-te. Antes jurava que não queria casar, ter filhos. Agora quero ter 2 filhos e eventualmente casar." REUTERS/Allison Joyce
Jennifer, 23 anos, é enfermeira em Nova Iorque. Tinha 17 anos quando abortou. "Ele ainda é uma pessoa horrível e eu ia ter uma vida horrível com ele. Não queria ser uma daquelas mulheres com filhos de pais diferentes. Preferia ter um bebé com alguém com quem fosse casar. Não usámos preservativo. Eu era contra o aborto. Era mesmo."
Jennifer, 23 anos, é enfermeira em Nova Iorque. Tinha 17 anos quando abortou. "Ele ainda é uma pessoa horrível e eu ia ter uma vida horrível com ele. Não queria ser uma daquelas mulheres com filhos de pais diferentes. Preferia ter um bebé com alguém com quem fosse casar. Não usámos preservativo. Eu era contra o aborto. Era mesmo." REUTERS/Allison Joyce
"A minha mãe disse 'Sabes que se engravidares estás fora de casa porque já és crescida' Depois disso tomei a minha decisão em dois meses. Assim que acordei na cama comecei a chorar. Chorei, chorei. Uma mulher ao meu lado perguntou-me a idade e eu disse 17. Ela disse 'fizeste a coisa certa, miúda'. Não falo muito nisso. Não me arrependo. E continuo a ser contra o aborto."
"A minha mãe disse 'Sabes que se engravidares estás fora de casa porque já és crescida' Depois disso tomei a minha decisão em dois meses. Assim que acordei na cama comecei a chorar. Chorei, chorei. Uma mulher ao meu lado perguntou-me a idade e eu disse 17. Ela disse 'fizeste a coisa certa, miúda'. Não falo muito nisso. Não me arrependo. E continuo a ser contra o aborto." REUTERS/Allison Joyce
Lisa é gerente de um restaurante em Massachusetts e tem 27 anos. Tinha 24 quando fez o aborto.  "Contei ao meu marido na altura - não estávamos divorciados ainda mas eu ia deixá-lo - e ele apoiou-me. Acho que tive sorte num sentido porque não foi uma decisão difícil por estar sozinha. Não tinha família nem amigos, na verdade. Por isso passei por tudo sozinha. Sem arrependimentos. Achava que ia pensar como seria se tivesse tido o bebé mas não penso nisso. Tento não pensar."
Lisa é gerente de um restaurante em Massachusetts e tem 27 anos. Tinha 24 quando fez o aborto. "Contei ao meu marido na altura - não estávamos divorciados ainda mas eu ia deixá-lo - e ele apoiou-me. Acho que tive sorte num sentido porque não foi uma decisão difícil por estar sozinha. Não tinha família nem amigos, na verdade. Por isso passei por tudo sozinha. Sem arrependimentos. Achava que ia pensar como seria se tivesse tido o bebé mas não penso nisso. Tento não pensar." REUTERS/Allison Joyce
"Eu tinha dois empregos. Trabalhava como uma louca a tentar sobreviver. Depois disso coloquei um DIU - dispositivo intrauterino. Pensei, não vou voltar a engravidar sem ter a certeza. Por isso vou tomar medidas extremas - não extremas, mas todas as que puder para que nunca mais volte a acontecer."
"Eu tinha dois empregos. Trabalhava como uma louca a tentar sobreviver. Depois disso coloquei um DIU - dispositivo intrauterino. Pensei, não vou voltar a engravidar sem ter a certeza. Por isso vou tomar medidas extremas - não extremas, mas todas as que puder para que nunca mais volte a acontecer." REUTERS/Allison Joyce
Aiyana tem 22 anos e é artista em Nova Iorque. Aos 20 anos engravidou. "A clínica onde fiz o aborto permitia homens na sala. A maior parte das clínicas não permite. Então marquei a data para um dia em que o meu namorado estivesse de volta da digressão porque queria partilhar a experiência com ele. Acho que ele estava assustado, mas apoiou-me. Fez tudo o que pôde, menos pagar o aborto."
Aiyana tem 22 anos e é artista em Nova Iorque. Aos 20 anos engravidou. "A clínica onde fiz o aborto permitia homens na sala. A maior parte das clínicas não permite. Então marquei a data para um dia em que o meu namorado estivesse de volta da digressão porque queria partilhar a experiência com ele. Acho que ele estava assustado, mas apoiou-me. Fez tudo o que pôde, menos pagar o aborto." REUTERS/Allison Joyce
"Depois de ter acontecido, quando senti que precisava de apoio emocional, ele não me apoiou. Isso contribuiu para nos separarmos. Foi recompensador de alguma forma, pelo menos posso dar conselhos. Obviamente é algo privado. Mas acho que verbalizar é importante. Acho que pode ajudar a remover o estigma que está ligado ao aborto."
"Depois de ter acontecido, quando senti que precisava de apoio emocional, ele não me apoiou. Isso contribuiu para nos separarmos. Foi recompensador de alguma forma, pelo menos posso dar conselhos. Obviamente é algo privado. Mas acho que verbalizar é importante. Acho que pode ajudar a remover o estigma que está ligado ao aborto." REUTERS/Allison Joyce
Lisa, uma escritora de 45 anos de Massachusetts, fez dois abortos por volta dos 30 anos. "A resposta imediata dele foi 'Não podes ter!' Foi muito visceral. Perguntei-lhe porquê e ele disse 'Não podes ter esse bebé e não há alternativa'. Quando olhava para o futuro não via felicidade. Não ser desejada é um sentimento muito forte. Por isso concordei com o aborto... Depois de algum tempo disse 'Se não querias filhos devias ter controlado a tua reprodução'. É isso que me chateia nos debates sobre o aborto, não ouço falar sobre os homens terem de controlar a sua reprodução. É quase como se as mulheres gostassem de fazer abortos."
Lisa, uma escritora de 45 anos de Massachusetts, fez dois abortos por volta dos 30 anos. "A resposta imediata dele foi 'Não podes ter!' Foi muito visceral. Perguntei-lhe porquê e ele disse 'Não podes ter esse bebé e não há alternativa'. Quando olhava para o futuro não via felicidade. Não ser desejada é um sentimento muito forte. Por isso concordei com o aborto... Depois de algum tempo disse 'Se não querias filhos devias ter controlado a tua reprodução'. É isso que me chateia nos debates sobre o aborto, não ouço falar sobre os homens terem de controlar a sua reprodução. É quase como se as mulheres gostassem de fazer abortos." REUTERS/Allison Joyce
 O segundo aborto foi com um homem que já tinha dois filhos e estava a divorciar-se. Lisa não tomava a pílula por razões médicas. "Ele olhou para mim e disse ' Não sei o que te dizer mas sabes que não posso sustentar outra criança. Não quero outro filho'. Fiquei zangada comigo mesma por acontecer de novo. Decidi fazer o aborto. Era quase imperdoável para mim que eu tivesse engravidado outra vez. Mas não queria ficar ligada a ele. Foi terrível e odiei-me por isso. Odiei a rapidez com que tomei a decisão".
O segundo aborto foi com um homem que já tinha dois filhos e estava a divorciar-se. Lisa não tomava a pílula por razões médicas. "Ele olhou para mim e disse ' Não sei o que te dizer mas sabes que não posso sustentar outra criança. Não quero outro filho'. Fiquei zangada comigo mesma por acontecer de novo. Decidi fazer o aborto. Era quase imperdoável para mim que eu tivesse engravidado outra vez. Mas não queria ficar ligada a ele. Foi terrível e odiei-me por isso. Odiei a rapidez com que tomei a decisão". REUTERS/Allison Joyce
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