Passos acusa Seguro de “desespero” por querer aumentar a meta do défice

Primeiro-ministro diz que adversários têm “relação de ficção com a realidade”. Não vai baixar impostos e não comenta “hipocrisia” de que Marco António Costa acusa o FMI.

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Passos esta quarta-feira à noite em Barcelos Fernando Veludo

“Acusam-nos de escondermos medidas de austeridade ao mesmo tempo que dizem já que vão votar contra essa medidas que, afinal, já são conhecidas", afirmou Pedro Passos Coelho num jantar em Barcelos, com cerca de 400 apoiantes à candidatura de Domingos Araújo à autarquia local.

E prosseguiu sempre com o líder da oposição na mira: "Dava-lhes prazer que as pessoas se irritassem com o Governo nos municípios, mas deve-lhes dar é desespero porque as pessoas, afinal, não aderem a essa forma de comunicação".

O líder social-democrata, que nunca nomeou Seguro no discurso, mas o deixou, porém, como alvo certo da crítica, lamentou ainda a proposta do PS à troika para que o défice se flexibilize até aos 5% por cento para ano.

“Agora vêm dizer que afinal querem que o défice seja de 5% para o ano, ou até, quem sabe, de mais. É uma coisa extraordinária. Porque não?”, questionou, ironizando e aproveitando para acusar o PS de “facilitismo e falta de rigor”. Face a isso registou a necessidade de uma “cultura política diferente” de “linguagem de verdade”. O Governo propõe um défice de 4,5%.

Por seu lado, Domingos Araújo apontou baterias ao antecessor de Seguro. “Sócrates arruinou o país em seis anos”, disse Araújo, que repetiu, amiúde, o nome de Sócrates no discurso, em jeito de paródia.

Numa alusão às decisões recentes do Tribunal Constitucional, Passos Coelho, fez questão de lamentar a constatação de que “o Estado tem tido maior dificuldade em se ajustar porque aquilo que se exige à área pública não é exigido à área privada”. Aliás, o social-democrata destacou a importância de o país ser mais “ambicioso”, até porque “as famílias ajustaram-se”, “as empresas ajustaram-se e as que sobraram, lançaram-se para o exterior”. O primeiro-ministro justificou, neste ponto, que o Estado não pode “consumir de mais” porque “quando o faz é a economia privada” e as “famílias que pagam”.

Passos deu ainda como certa a impossibilidade de baixar impostos por agora. Admitiu que são “altos”, mas alertou que se os baixasse o país poderia ter de ir depois “pedir à pressa dinheiro emprestado outra vez”. Gracejando com a “crise política” que se “dizia que iria haver porque o PSD iria ter uma derrota histórica”, Passos – que sublinhou a força das candidaturas do PSD em “crescendo” - salientou que, “à medida que o tempo vai passando, vê-se, afinal, que a medida da fasquia dos adversários é cada vez mais modesta”.

No discurso, Passos mostrou-se confiante na vitória do PSD nas autarquias, acreditando que “as pessoas sabem que é preciso fazer sacrifícios”. No seu discurso, Passos não comentou porém a “hipocrisia institucional” que, à tarde, Marco António Costa tinha imputado ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O porta-voz disse que o FMI faz relatórios em que assume existir “excessos de austeridade”, mas depois na mesa das negociações são “muito pouco” flexíveis.

“No concreto, a postura que revelam na mesa das negociações e na atitude no dia-a-dia do relacionamento com os Estados [sob ajuda financeira] é de uma atitude muito pouco flexível”, disse Marco António Costa, à margem de uma visita a uma empresa de confecções em Arcozelo, Vila Verde, Braga, numa declaração que poderia ser mais expectável de um elemento da oposição e não de um representante de um partido do Governo.

Marco António Costa lembrou que recentemente os “parceiros sociais saíram altamente descontentes do contacto dos representantes que tiveram com a troika”.