Mais de 20 horas depois, o Costa Concordia está finalmente direito

Cerca de 20 meses depois do acidente que matou 32 pessoas, mais de 500 pessoas conseguiram finalmente endireitar o navio encalhado na ilha toscana de Giglio.

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Uma mancha de ferrugem cobre a parte do navio que estava submersa AFP PHOTO / ANDREAS SOLARO
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Montagem com as várias fases do processo Tony Gentile/Reuters
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Nick Sloane, responsável pela operação, abraça um dos trabalhadores após o sucesso ANDREAS SOLARO/AFP
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O navio já direito, perto das 5h da madrugada Tony Gentile/Reuters
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AFP PHOTO / VINCENZO PINTO
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Nesta imagem, é possível ver a linha de ferrugem já à superfície Tony Gentile/Reuters
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A "sala de comando" VINCENZO PINTO/AFP
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O barco é levantado com a ajuda de enormes cabos até ao momento em que será a força da gravidade a fazer o seu trabalho VINCENZO PINTO/AFP
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Depois de 20 meses encalhado na ilha toscana de Giglio e de mais de 20 horas de trabalho, o navio de cruzeiro Costa Concordia está finalmente direito, naquela que foi uma complexa e inédita operação de resgaste.

A manobra começou ao início da manhã de segunda-feira e já só foi concluída durante a madrugada, perto das 5h (4h em Lisboa). Porém, ainda durante o dia de segunda-feira já era possível vislumbrar o casco enferrujado a emergir da água, apesar de as manobras que se previam demorar 12 horas estarem claramente atrasadas.

“A operação de rotação terminou e o barco está na posição vertical”, anunciou Franco Gabrielli, chefe da protecção civil italiana à imprensa. Considerou que os trabalhos terminaram com sucesso. “É realmente impressionante ver o estado em que está o barco. E isso incomoda, porque temos os olhos postos numa tragédia”, acrescentou, por seu lado, o almirante Stefano Tortora, um dos especialistas presentes nas manobras.

Já o perito que dirigiu todas as operações, Nick Sloane, foi recebido com uma grande ovação assim que o barco ficou na posição pretendida. “Grande Nick! Bom trabalho!”, ouviam-se vários curiosos a dizer no local, onde se trocaram vários abraços.

“Vê-lo ressurgir da água foi muito emocionante para mim”, acrescentou Luciano Castro, um dos sobreviventes do acidente que quis assistir às operações.

Agora, o El País descreve que à vista ficou o estado do barco envolvido num dos acidentes mais aparatosos da história, nomeadamente devido aos meses de contacto da embarcação com o fundo rochoso. O Costa Concordia naufragou a 13 de Janeiro de 2012 e no acidente morreram 32 pessoas.

O jornal diz que no local estão mais de 350 jornalistas a acompanhar as operações e que as autoridades italianas e a Costa Cruceros (proprietária do Costa Concordia) têm tentado com esta manobra inédita apagar o fatídico incidente que resultou de uma manobra inconsequente do comandante Francesco Schettino, que está ainda a ser julgado; outros cinco co-responsáveis já foram condenados.

Francesco Schettino terá ordenado a aproximação do grande paquete à ilha de Giglio, na Toscana, uma prática comum para proporcionar uma boa vista aos turistas a bordo, mas que neste caso terá ido perto de mais. O navio encalhou e tombou sobre um dos lados. Seguiram-se momentos de caos, com procedimentos de emergência mal conduzidos e com o comandante a abandonar o navio antes de este ter sido totalmente evacuado.

500 pessoas para endireitar o barco

Agora, cerca de 500 pessoas participaram nesta operação para endireitar o barco, uma estreia mundial para um navio deste tamanho — 114 mil toneladas, 290 metros de comprimento, 35 metros de largura, 57 metros de altura —, sob a direcção do perito sul-africano em resgates de navios Nick Sloane. Ao todo, o processo custará cerca de 600 milhões de euros, tendo o barco custado em 2006 450 milhões.

O navio, que estava completamente deitado sobre o flanco direito, foi estabilizado graças a centenas de sacos de cimento colocados por mergulhadores no fundo do mar e por uma plataforma do tamanho de um campo de futebol que foi fixada debaixo de água, e na qual foram postos a repousar os blocos colocados no flanco esquerdo do navio assim que este ficou na vertical.

Cuidados ambientais

Para o barco ser levantado foram necessários enormes cabos, até ao momento em que foi a força da gravidade a fazer o seu trabalho. Depois foram imediatamente colocados contrapesos flutuantes no seu flanco direito, para equilibrar o barco, de modo a que este não se deite para o outro lado.

A rotação foi gerida à distância, numa “sala de comando”, por 12 pessoas, cada uma frente a um computador com uma tarefa distinta a desempenhar. A plataforma flutuante onde estes se encontravam está ligada ao navio por dois “cordões umbilicais” (um principal e um suplente).

“Endireitar o Concordia representa o menor risco”, garantiu no domingo o chefe da protecção civil Franco Gabrielli, igualmente comissário especial do Governo para a gestão do caso Concordia. “A nossa principal preocupação relaciona-se com eventuais problemas de natureza ambiental”, disse Gabrielli, citado pela AFP. À volta do navio foram colocadas barreiras marinhas flutuantes antipoluição e estava também previsto um dispositivo para bombear líquidos tóxicos que pudessem sair do navio durante a operação.