Juros da dívida acima dos 7% fazem temer novo resgate

Taxas no mercado secundário estão quase dois pontos acima das que foram conseguidas por Portugal no início deste ano.

Paulo Portas reuniu-se ontem com os representantes dos sindicatos e dos patrões
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Paulo Portas reuniu-se ontem com os representantes dos sindicatos e dos patrões Daniel Rocha

Ao mesmo tempo que o Governo começa a discutir com a troika a forma como Portugal poderá finalizar o actual resgate, os mercados continuam a dar sinais de que podem vir a não estar dispostos a financiar o país a taxas de juro sustentáveis já a partir do próximo ano, empurrando Portugal para um segundo resgate.

Ontem deu-se início às oitava e nova avaliações da troika ao programa português, que continuará nesta terça-feira com o encontro entre os responsáveis da Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu e os parceiros sociais. Para Portugal, estas duas avaliações (feitas em simultâneo devido ao atraso registado na avaliação anterior) serão decisivas para começar a preparar aquilo que irá acontecer a partir de Junho de 2014, quando o actual programa chegar ao fim.

Ontem, Paulo Portas, depois de se reunir com os representantes dos patrões e dos sindicatos, voltou a repetir que aquilo que o Governo ambiciona é conseguir um programa cautelar e não um segundo resgate semelhante ao actual. Na prática, o que se entende por resgate é a concessão pela troika de um novo empréstimo, que garanta as necessidades de financiamento do país e que terá associado um novo pacote de medidas que serão trimestralmente fiscalizadas. Um programa cautelar é, por seu lado, uma garantia dada pelo mecanismo de estabilidade europeu e pelo BCE de que apoiará Portugal nas suas operações de financiamento no mercado. Também haverá imposição de condições, mas o programa poderá ser menos intrusivo.

O problema é que, para Portugal ter boas perspectivas de aceder a este tipo de programa, é preciso que mostre capacidade para obter o financiamento de que precisa junto dos mercados, ou seja, realizar emissões de dívida de médio e longo prazo regulares e a taxas que garantam a sustentabilidade da dívida.

No entanto, aquilo que está neste momento a acontecer nos mercados não aponta nesse sentido. Ontem, as taxas de juro dos títulos de dívida pública portugueses negociados entre os investidores (mercado secundário) estiveram sempre próximo do nível que tinha sido atingido no auge da recente crise política em Portugal, quando Paulo Portas apresentou a sua demissão.

A 10 anos, as taxas de juro voltaram a ficar próximas dos 7,508% atingidos a 3 de Julho. No final da sessão recuaram ligeiramente e fixaram-se em 7,333%. A cinco anos, a taxa chegou a estar acima de 7%, acabando o dia nos 6,886%.

Quando Portugal, na primeira metade do ano, conseguiu concretizar duas emissões de longo prazo sindicadas, fê-lo a taxas de juro muito mais baixas do que aquelas que agora se registam nos mercados. Em Janeiro, a emissão a cinco anos teve uma taxa média de 4,891%. Em Fevereiro, a emissão a 10 anos ficou a 6,65%.

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