Pedro Puppe: o humanista que “finalmente” se emociona

Depois dos Oioai e dos MIUDA, Pedro Puppe apresenta-se a solo em “Setembro”. Para ouvir (e comover) na Optimus D’Bandada no Clube Fenianos Portuenses

No fim do Verão chega Setembro. Com Pedro Puppe, só depois dos Oioai e dos MIUDA é que chegou o seu “Setembro”, álbum de canções despidas de produção, rendidas às palavras, que é editado dia 16 pela Optimus Discos. Dez dias para gravar, 35 minutos para pintar a capa.

No CV tens cursos de arquitectura e pára-quedismo, o 1.º lugar num campeonato nacional de sabre e, claro, os Oioai (voz/guitarra) e os MIUDA (compositor). Quando é que a música apareceu?

Isso é tudo verdade (risos). Entrou pela arquitectura adentro. Basicamente, o curso foi um estágio musical remunerado pelos meus pais. Eu acabei o curso, mas logo no primeiro ano conheci o Tiago Bettencourt e começámos a fazer bandas. É um curso técnico, burocrático, político e corrupto. Já sou músico há vários anos, desde 2006. Vejo-me mais como um humanista — é uma biografia que não ponho lá. Preocupo-me em mostrar que sou uma pessoa que faz músicas.

Filmaste-te a pintar a capa de “Setembro” enquanto ouvias o álbum na íntegra. Porquê?

Eu precisava mesmo de uma capa e já tinha essa ideia de ter um vídeo com o disco todo porque tem muito a ver com a maneira como as pessoas hoje ouvem música. Pode não ser um vídeo muito interessante, mas de alguma maneira quis que aquilo que fizesse no quadro fosse influenciado pela música. Eu gostei muito. Acaba por ser uma metáfora para o disco também — fi-lo sozinho, pelas minhas mãos, sem grandes produções. É um disco muito cru. Queria que a imagem correspondesse a isso.

O próprio álbum foi gravado em dez dias…

Eu tentei gravar as canções de várias maneiras. Experimentei tudo, mais produzido, menos produzido. Mas no final aquelas musiquinhas que tinha gravado na memória do meu telefone rasca tinham muito mais impacto do que as produzidas. Como é o meu primeiro disco a solo, decidi fazer um disco gravado por mim, o mais honesto possível, o mais próximo da versão original. Não tem expectativas comerciais e Henrique Amaro [da Optimus Discos] permitiu-me. Mas mesmo que esteja despido está com um grande som. E a letra. Acho que das coisas mais fortes que tenho são as letras. E muitas vezes a letra passa para segundo plano. Aqui não. É uma colecção de emoções e de situações muito cruas. Muito “na tua cara”.

Chama-se “Setembro”, um mês melancólico por excelência… tal como o álbum?

O disco estava-me a sair triste. A minha mãe já dizia que eu era um rapazinho triste. Eu sempre associei essa melancolia ao fim do Verão, ao fim das férias. Acho que isso tem a ver com o disco, está na mesma cor. É um bocado a minha personalidade outonal.

  

Já passaste pelos Oioai e pelos MIUDA. O álbum a solo só chega agora porquê?

Só agora é que tive “tomates” para isso. Não me sentia preparado. Falta de segurança musical e de saber como as coisas se fazem. Quando gravei o primeiro disco nunca tinha estado num estúdio. Na altura nem sabia tocar. Nos O meu percurso todo deu-me confiança e também porque o Henrique me permitiu. Nunca nenhuma editora me perimitiria fazer um disco escuro e pouco comercial à partida.

Como vai ser o concerto na Optimus D’Bandada?

Vou levar as pessoas todas que gravaram o disco. Ou seja, eu (risos). Vou tocar sozinho. Tenho os meus recursos tecnológicos: pedal de loops e vozes. Como é o primeiro concerto, é mais conceptual ir sozinho. Estou com muita vontade de o fazer. Preparei-me, ensaiei, vai ser a primeira vez que vou estar sozinho no palco. Estou cheio de vontade. Emociono-me finalmente. Já toquei tanto de forma maquinal em bandas e finalmente emociono-me.

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