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A teoria do senhor Lewis

Portugueses, espanhóis e gregos são do tipo Multi-Activo. Os seres desta estirpe são vivaços e eloquentes. Parece que fazemos muitas coisas ao mesmo tempo. Somos impulsivos e enxofrados. Emotivos e caóticos

Lembram-se das anedotas do “era uma vez um português, um alemão e um inglês”? O desfecho era sempre o mesmo: o português passava por espertalhão. Gosto particularmente desta, que li recentemente: um alemão, um inglês e um português, todos com deficiências físicas, encontram Jesus Cristo. Os dois primeiros rogam por um milagre que os livre das deformações. Jesus acede. Ficam curados. Ao invés, à aproximação de Cristo, disposto a invocar o terceiro milagre, o Português grita-lhe: “Ei, loirinho, não me toques! Estou de baixa!”.

Estas generalizações culturais sempre me fascinaram. São o “pão com manteiga” de muitos ensaios humorísticos, mais ou menos brejeiros, dependendo se fazem ou não parte do repertório do Fernando Rocha.

Vêm estas considerações a propósito de um artigo que li recentemente na “Business Insider” acerca de um livro chamado “When Cultures Collide”. A obra foi escrita por um linguista britânico chamado Richard Lewis que, em resumo, divide a Humanidade em três tipos culturais: os Lineares-Activos, os Reactivos e os Multi-Activos (tradução a meu cargo). De acordo com este modelo — o Lewis Model —, a sociedade de determinado país cai, por generalização, num destes três modelos. Posto que os Lineares-Activos são aqueles que planeiam e organizam (suíços, alemães) e que os Reactivos são os bons ouvintes que dão prioridade à cortesia (japoneses), adivinhem lá onde cai Portugal? Precisamente. Portugueses, espanhóis, italianos, gregos e malteses (bem como latinos e brasileiros) são do tipo Multi-Activo. De acordo com o resumo da “Business Insider”, os seres desta estirpe são vivaços e eloquentes. Parece que fazemos muitas coisas ao mesmo tempo. Somos impulsivos e enxofrados. Emotivos e caóticos.

Perigosas e enviesadas que possam ser estas conclusões do senhor Lewis, casualidade ou não sucede que por vielas do destino, nos idos de 2010 — ano em que emigrei para a Bélgica —, acabei por fazer novos amigos. São todos Multi-Activos: basicamente italianos, espanhóis e gregos. Foi acaso? Prefiro acreditar que não. Há qualquer coisa de gregário no nosso estilo. "Una Faccia, Una Razza", resume o meu amigo italiano. Chamamos à nossa pandilha a Funny Europe, por oposição à Serious Europe. Mas não discriminamos. Estamos abertos à entrada de alemães, austríacos e ingleses. Só não prometo que cheguemos a horas aos encontros. Nem que não contemos anedotas politicamente incorrectas. Até algumas do Fernando Rocha.