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Megafone

Voltar à escola com os Ciclo Preparatório

Nasceram em 2012, mas parecem saídos dos anos 70/80. No sábado, os Ciclo Preparatório passam pelo Optimus D'Bandada, no Porto: actuam às 22h30 no bar Era Uma Vez em Paris

A imagem dos Ciclo Preparatório, a banda portuguesa que nasceu na Primavera de 2012 mas que nos leva a uma musicalidade e aparência dos anos 70/80, “é conceptual mas não artificial”, diz-nos Dantas.

Os Ciclo Preparatório são seis: o membro mais velho tem 20 anos, o mais novo 16. Dantas, o assessor de imprensa da banda, é o 7.º elemento que, sem se aproximar dos instrumentos, dá a cara e voz aos media, permitindo assim à banda “concentrar-se em fazer música”.

Com Pedro Tróia — vocalista dos Capitães da Areia — como mentor, os Ciclo Preparatório — Pape, Graça, Sebastien, Consolação, Benedita e Constança — vão buscar influências à música nacional de décadas passadas e pretendem ser “um pequeno oásis no meio da música portuguesa”.

Dentro dum género que caracterizam de “coral pop especial rural-chique delicodoce”, os Ciclo cantam histórias e confissões em pop rock português. A voz de João Gagliardini Graça mistura-se com os coros afinados das raparigas, uma bateria certinha, guitarras e baixo são os ingredientes principais do som do grupo, apimentado pelas letras. 

As viúvas não temem a morte

“As viúvas não temem a morte” é uma imagem forte e o nome do primeiro álbum da banda, lançado através da Optimus Discos. Oito faixas com títulos e letras que retratam um imaginário nacional — uma delas, "Deixem-nos Brincar Em Paz", levantou até alguma polémica, o que obrigou a banda a defender-se das acusações de homofobia de que foi alvo.

A descobrir o disco, é a frase "eu vou dar a volta ao mundo para roubar mais um segundo" que fica a ecoar nos nossos ouvidos. Aumentamos o volume para ouvir a terceira música — "A Volta ao Mundo com A Lena D’Água" — que conta com a participação da própria Lena D’Água.

Quase que pode dizer-se haver uma obsessão dos Ciclo Preparatório com as “Lenas”, confessa-nos Dantas, referindo-se não só à terceira faixa do álbum, mas também à música “Lena Del Rey”, numa provável alusão a uma imaginada Lana Del Rey portuguesa. Numa história com uma dimensão onírica, é-nos contada a chegada duma musa: “Quando ela veio estava sozinha/ De frente era o que conhecemos/ Era tudo o que eu queria/ Quando o sol caiu/ A luz não apagou/ E enquanto ela ensaiava /A festa começou (…) Vem rapariga/ Traz a tua saia/ E dança para que ela não caia/ E reza para que ela não caia”. E, de facto, é bom ouvi-la chegar.

Mas não é só de sonhos que a música dos Ciclo é feita. Em contraposição com a felicidade sonhada no conhecer de Lana Del Rey, a banda coloca também perguntas existenciais aos mais atentos. Oiça-se, por exemplo, a faixa “Carpideira”: “Neste planeta não há razão/ Fazemos tanto por atenção/ De que vale ao homem ter o mundo/ Se ficar cego, surdo e mudo?”

Vale a pena ouvir a música e sorrir com as letras desta jovem banda nacional que procura provar que a musicalidade de outrora não está esgotada nem ultrapassada. E não está — só depende do ouvido de cada um conseguir escutar o antigo como contemporâneo.

Os Ciclo Preparatório vão estar no Optimus D’Bandada, o festival citadino que invade as ruas do Porto no dia 14 de Setembro.

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