Catalunha exige referendo sobre autodeterminação com cordão humano de 400 km

No dia em que se recorda a perda da independência, catalães pressionam Governo de Madrid com acto popular.

A bandeira da Catalunha, a "Estelada" está por todo o lado
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A bandeira da Catalunha, a "Estelada" está por todo o lado JOSEP LAGO/AFP

Foi às 17h14 locais (16h14 na hora de Portugal continental) que se completou o cordão humano ao longo da costa. A hora foi escolhida para recorda o ano em que o reino da Catalunha perdeu a independência para as tropas franco-espanholas ao serviço de Filipe V, na guerra da sucessão que também acabou com a concessão de Gibraltar ao Reino Unido.

O cordão atravessou o Camp Nou, do Barcelona, com linha de cinco filas de pessoas frente à tribuna. No centro da maior cidade da Catalunha, com as pessoas a gritar "Independência!", e a cantor músicas populares catalãs, relatam os jornais espanhóis, nas suas edições online. "O espanhol que não vote", grita-se no campo do Futebol Clube de Barcelona, no relato do El Mundo.

O Presidente da Generalitat (o Governo da Região Autónoma) Artur Mas, na celebração das cerimónias oficiais da “Diada” do 11 de Setembro, comprometeu-se a dialogar “até ao fim” com o primeiro-ministro Mariano Rajoy para conseguir realizar um referendo em 2014. Uma sondagem da Cadena SER revelada ontem mostrava que 80% dos catalães é a favor da possibilidade de que qualquer comunidade possa fazer um referendo para se pronunciar sobre se quer continuar a fazer parte de Espanha. Se fosse realizado na Catalunha, 59,7% diz que iria votar, mesmo que o voto fosse declarado inconstitucional; e 52% dos catalães declara-se abertamente a favor da independência. Outra sondagem, do Centro de Investigações Sociológicas, divulgada em Junho, revelou também que está a crescer o apoio à autodeterminação da Catalunha (tinha 40%).

Artur Mas disse estar convencido de que o cordão humano deste 11 de Setembro na Catalunha servirá para lançar uma mensagem forte tanto a Madrid como para o resto do mundo, dizendo que os catalães querem “ter o direito a decidir”, relata o El País.

"Muitos países do mundo estão a ver-nos com uma luta. Por isso temos de mostrar as nossas melhores cartas", afirmou Mas. "“Estou a tentar que existam vias de diálogo. Continuarei a tentá-lo até ao fim. E com o melhor ânimo e com vontade de encontrar este acordo, tal como o fizeram o Reino Unido e o Canadá, que encontraram o caminho para fazer referendos dentro dos trâmites legais.”

É uma manifestação que está a ser preparada há bastante tempo, e pensada para ter impacto internacional, escreve Enric Company no jornal El País, reflectindo o peso que a opção pela independência assumiu na Catalunha, demonstrada no ano passado, quando houve uma imensa manifestação em Barcelona que reuniu cerca de 1,5 milhões de pessoas.

Por ser tão declaradamente independentista, deixa de fora quem tem posições mais moderadas, como os socialistas catalães e Josep Antoni Duran, líder da União Democrática da Catalunha, partido que faz parte da coligação no poder na Generalitat (Convergência e União), não participou nas comemorações.

O partido de Duran, que ele define como "confederalista", mantém uma posição ambígua quanto às expressões mais efusivas das celebrações independentistas. No ano passado, Duran foi à manifestação, de cadeira de rodas porque estava a recuperar de uma cirurgia, e foi insultado e apupado. Atiraram-lhe moedas à cara.

O próprio Artur Mas não participará na cadeia humana, mas dez dos seus conselheiros farão parte da iniciativa.