Agente de execução morto quando fazia cumprir uma ordem judicial de demolição

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A GNR montou uma operação e deteve o homem na quinta-feira Nelson Garrido/Arquivo

Um agente de execução foi morto a tiro nesta sexta-feira, em Rebelos, freguesia de Cela, concelho de Alcobaça, quando acompanhava uma ordem do tribunal para a demolição de um muro.

Dário Jesus Ferreira, de cerca de 50 anos, residente em Turquel, acompanhava dois agentes da GNR na demolição de um muro quando foi atingido por um tiro de caçadeira na cabeça. Segundo informações recolhidas pelo PÚBLICO no local, a operação decorria com normalidade, quando Abílio Costa, o homem alvo da decisão judicial, foi para dentro de casa e, repentinamente, apareceu à janela, alvejando o agente de execução, um profissional liberal que executa algumas decisões judiciais e que está inscrito na Câmara dos Solicitadores.

Durante cerca de uma hora, Dário Jesus esteve sem assistência por “não existirem condições de segurança face à posição dominante do agressor relativamente à envolvente da casa”, segundo disse à Lusa uma fonte da GNR, ao início da tarde. A vítima foi depois retirada do local onde tinha sido atingida e colocada numa zona segura onde se procedeu a manobras de reanimação. Acabou, no entanto, por morrer.

Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro de Leiria disse ao PÚBLICO que recebeu às 15h12 o alerta para uma "tentativa de homicídio". A mesma fonte disse que foram accionadas uma ambulância e a Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Caldas da Rainha.

Segundo informações recolhidas pelo PÚBLICO, Abílio Costa mantinha más relações com o sogro, que pediu em tribunal a demolição de um muro, alegando que teria construído ilegalmente. Era essa demolição que decorria na tarde desta sexta-feira.

À meia-noite, nove horas depois do disparo, a GNR, o Corpo Operações Especiais e a Polícia Judiciária ainda tentavam deter o homem de 56 anos, que estava trancado em casa. Foi-lhe cortada a electricidade e um familiar, presumivelmente um afilhado, chegou a entrar na casa para o tentar convencer a entregar-se às autoridades.

"Estão a tentar negociar, mas não tem havido feedback da parte dele", disse ao PÚBLICO fonte do comando territorial de Leiria da GNR.

Abílio Costa, natural de Fafe, é viúvo e tem três filhos, que estarão a viver em França. É conhecido na aldeia como uma pessoa conflituosa e, segundo relatos de moradores, à hora de almoço, comprou vinho no café, dizendo que tinha de se preparar porque o tribunal ia mandar-lhe o muro abaixo.

Cerca das 23h, foi audível uma parte das negociações entre as autoridades policiais e o atirador. Em processo de negação ou em gozo, Abílio Costa perguntou: “Mataram alguém a tiro? Não sei de nada”, ouviu-se ao homem que apareceu à janela de casa. “Agora vou tomar um banhito, vou tratar dos cachorros, vou deitar-me e amanhã às oito horas vou à GNR”, disse antes de fechar os estores.

O homem acabou por se entregar à GNR, às 2h45 deste sábado.