Com a compra da Nokia, a Microsoft pode ter encontrado um novo líder

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Para Stephen Elop, trata-se do regresso à casa liderada por Ballmer, que já anunciou a sua saída de cena BRENDAN HOFFMAN/REUTERS

O negócio de 5400 milhões de euros é a estratégia para a sobrevivência da Microsoft na guerra dos smartphones e tablets. Stephen Elop, que liderava a Nokia, é visto como o sucessor óbvio de Ballmer

Com a venda da unidade de telemóveis da Nokia à Microsoft, já há quem considere que ficou resolvida a questão da sucessão de Steve Ballmer. A corrida ainda está, obviamente, em aberto, mas hoje, muitos analistas citados pela Bloomberg apontavam o canadiano Stephen Elop, presidente executivo cessante da Nokia e ex-quadro da Microsoft, como bem posicionado para ser o sucessor que Ballmer procura desde 2010, tendo em conta a sua experiência adquirida dentro e fora da empresa. A mesma opinião é partilhada pelo analista da IDC, Francisco Jerónimo.

Alguns especialistas consideram que o conhecimento da cultura Microsoft (onde esteve dois anos antes de sair para a Nokia), o facto de, na fabricante finlandesa, ter competido directamente com a Google, a Apple e a Samsung e de ter ajudado Ballmer a cozinhar esta operação em que a Microsoft joga o seu futuro na guerra dos smartphones e tablets, fazem de Elop o candidato mais provável à liderança da gigante norte-americana.

A lista de elegíveis inclui nomes como o de Sheryl Sandberg, chief operating officer do Facebook, de ex-executivos da Microsoft como Paul Maritz ou Steven Sinofsky, e de actuais quadros da empresa de Redmond, como o responsável pelo Skype, Tony Bates. Mas Elop é "o melhor candidato", pois, embora não tenha conseguido inverter o declínio de vendas da marca (apesar da melhoria com o Lumia), conseguiu tornar a empresa mais ágil, acelerando a sua capacidade de introduzir novos modelos no mercado (no que não foi acompanhada pela Microsoft, que falhou no ritmo de desenvolvimento de aplicações capazes de tornar o Windows Phone OS mais atraente). Essa é a opinião do director de research da consultora tecnológica IDC para a área móvel, Francisco Jerónimo.

O analista defende que a Microsoft só conseguirá fazer frente à Samsung e à Apple se abrir espaço "para uma nova mentalidade" que esteja mais próxima do que os consumidores efectivamente necessitam. Se, com a saída de Ballmer, optar por uma solução de liderança interna, a gigante norte-americana corre o risco de "ficar presa ao paradigma anterior" e perder definitivamente o comboio para o Android (Google) e iOS (Apple). Para muitos observadores, a venda da divisão de telemóveis da Nokia à Microsoft foi o desfecho lógico de uma parceria entre as duas empresas que, em 2011, já sob a batuta de Elop, marcou a introdução do Windows Phone nos smartphones Nokia. Franciso Jerónimo defende que este movimento de consolidação é o primeiro de outros que se seguirão, num sector em que "apenas sobreviverão as empresas que conseguirem ter escala". Um dos rumores que correm é a HTC ser comprada pela ZTE.

O crescimento já não irá centrar-se em conquistar novos clientes, mas em roubá-los à concorrência, numa guerra em que ganha quem tiver capacidade de fazer telemóveis mais baratos, com um bom hardware e um design atraente, obter menores margens de lucro e mesmo assim oferecer serviços, conteúdos e aplicações inovadoras e apelativas. Por outro lado, apesar da aposta estratégica nos smartphones, Francisco Jerónimo nota que, nos mercados emergentes, onde a maioria das pessoas não têm smartphones, a Nokia é líder. Se a Microsoft não souber manter este segmento vivo e rentável, "estará a dar um tiro no pé", pois dentro de poucos anos, estes milhões de clientes serão os novos utilizadores de smartphones e estarão muito mais dispostos a comprar um equipamento de uma marca que já conhecem e que respeitam.