Economista, apoiante de Menezes, diz que a dívida de Gaia é um “mito”

Ricardo Valente apresentou nesta quarta-feira as prioridades económicas e financeiras da candidatura do PSD à Câmara do Porto.

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Ricardo Valente é economista e professor de Finanças na Universidade do Porto Paulo Pimenta/Arquivo

O professor e economista Ricardo Valente, que integra a lista de Luís Filipe Menezes à Câmara do Porto, disse nesta quarta-feira que "o Porto não pode continuar a ser a cidade das contas certas com base em nada feito" e afirmou existir um "mito" relacionado com a dívida da Câmara de Gaia, liderada há 16 anos pelo candidato do PSD à segunda maior autarquia do país.

"Temos aqui um mito relacionado com a dívida [cujo valor não quantificou]"¸ afirmou o professor associado convidado da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, salientando que "as pessoas falam na dívida como se se pudesse dizer que o país mais endividado do mundo é os Estados Unidos, portanto, de facto, numa lógica absoluta, os EUA são o país com mais problemas do mundo".

Numa acção de campanha do PSD, na sede da candidatura, onde anunciou as regras gerais de gestão económico-financeira da Câmara do Porto durante o quadriénio 2014-2017, Ricardo Valente criticou a falta de obra da actual maioria PSD/CDS-PP e salientou que "o Porto não é uma repartição de finanças".

Pedindo aos eleitores do Porto que a 29 de Setembro escolham uma "liderança forte" para governar a cidade, porque "o Porto e o Norte de Portugal (…) pode e deve lutar por ser uma região de vanguarda, líder do noroeste peninsular", o economista enumerou algumas das medidas que considera importantes para a cidade do ponto de vista estratégico para "fazer crescer a sua economia, por forma a almejar subir numa década, no mínimo, dos actuais 62% para o patamar dos 75% do nível médio europeu".

Uma das prioridades apontadas é “manter a Câmara do Porto, permanentemente, no ranking das 20% mais equilibradas do ponto de vista económico-financeiro" e "colocar o passivo financeiro de médio e longo prazo da câmara num nível mais sustentável". O objectivo é reduzir esse passivo, que é "ligeiramente superior a 100 milhões de euros", para um valor "equivalente a tão-somente 40% das receitas correntes da autarquia".

Pagar a horas
Outra meta, revelou, passa por “assegurar o pagamento permanente a todos os fornecedores de bens e serviços, bem como a empreiteiros de obras públicas dentro dos prazos previstos na lei”. Mas há mais novidades. Ricardo Valente pretende “introduzir o conceito público de orçamento participativo em que 20% do investimento público anual será sujeito a debate alargado a toda a comunidade por um período de 30 dias”.

Na sessão, o economista deixou a garantia de que pretende “levar a debate público obrigatório todos os projectos ou a concretização de eventos que impliquem despesa corrente ou de investimento superior a um milhão de euros”. Paralelamente, é seu objectivo “criar uma agência de produção e desenvolvimento da cidade que, com a participação das principais instituições empresariais, sindicais, culturais e científicas e universitárias, lidere uma política concertada de diplomacia económica de cariz local e regional”.

Ricardo Valente deixou várias críticas ao actual executivo liderado por Rui Rio e defendeu que a Câmara do Porto deve ser um elemento reformado da gestão autárquica no país, dotando a sua gestão dos princípios da transparência, rigor e da criação de um sistema de monitorização da performance do município em termos da sua política de investimentos.

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