Sequestrador de Cleveland encontrado enforcado na cela

Ariel Castro manteve três mulheres em cativeiro em casa durante dez anos. Caso foi descoberto em Maio e o homem de 53 anos foi condenado em Agosto a prisão perpétua.

Ariel Castro no dia em que ouviu a sentença e em que disse não ser um monstro
Fotogaleria
Ariel Castro no dia em que ouviu a sentença e em que disse não ser um monstro Aaron Josefczyk/Reuters
Ariel Castro pode enfrentar a pena de morte
Fotogaleria
Ariel Castro após a detenção de Maio Cuyahoga County Sheriff's Office/Reuters

De acordo com as informações da prisão, citadas pela BBC, Ariel Castro morreu na noite de terça-feira, aos 53 anos. Tinha sido condenado no dia 1 de Agosto a pena de prisão perpétua por ter mantido durante mais de uma década em cativeiro três mulheres.

O caso foi descoberto em Maio, altura em que se soube que as três mulheres (agora com 32, 27 e 23 anos) estiveram acorrentadas e que foram repetidamente violadas pelo antigo condutor de uma carrinha escolar. Com uma delas chegou mesmo a ter um filho. Entretanto, a casa onde tudo aconteceu foi demolida.

Uma porta-voz do estabelecimento prisional de Ohio onde Ariel Castro estava detido, JoEllen Smith, citada pela BBC, especificou que o condenado estava sozinho numa cela e que era feita uma ronda a cada 30 minutos devido à notoriedade do seu caso, ainda que não houvesse medidas especiais relacionadas com risco de suicídio.

Risco de suicídio tinha sido afastado
Segundo o Washington Post, antes da condenação, Ariel Castro chegou a estar preso com vigilância permanente mas como foi afastado o risco de suicídio após a condenação passou-se para este tipo de ronda.

“Depois de encontrarem Castro inanimado, a equipa médica da prisão começou as manobras de suporte básico de vida. Pouco depois foi transportado e o óbito foi declarado” às 22h52 locais (3h52 de Lisboa), acrescentou a porta-voz do estabelecimento prisional.

De acordo com o The New York Times o detido foi levado para o Ohio State University Wexner Medical Center, onde foi confirmada a morte. Entretanto foi aberto um inquérito ao caso já que, ainda de acordo com o NYT, não é clara a forma como Ariel Castro se terá enforcado.

Lugar para Ariel só na prisão, disse o juiz
No dia em que foi condenado, Ariel Castro ouviu o juiz afirmar que não havia lugar para ele neste mundo a não ser a prisão. E ouviu Michelle Knight, uma das três mulheres que raptou, violou e manteve presas durante vários anos, dizer-lhe que o seu inferno iria começar naquele momento.

Ariel Castro foi acusado de 977 crimes, entre eles homicídio agravado, ao ter provocado um aborto numa das mulheres que mantinha presas em casa. Nos termos de um acordo, considerou-se culpado de 937 desses crimes – no início do processo declarou-se inocente.

Em tribunal, Ariel Castro pediu desculpa às vítimas, mas garantiu não ser um monstro, insistindo que não é mau nem violento e que foi vítima de abusos quando era criança. “Estão a pintar-me como um monstro. Não sou um monstro. Sou doente”, disse o antigo motorista, de 53 anos, que compareceu em tribunal de uniforme laranja e barba. Aliás, durante os dez anos de cativeiro Castro conseguiu manter uma vida normal perante amigos e família e chegou mesmo a comparecer perante vigílias pelas meninas desaparecidas.

A audiência foi muito emotiva e ficou marcada pelo depoimento de Michelle Knight, a única das três vítimas a comparecer em tribunal. “Durante 11 anos, estive no inferno. Agora o teu inferno está a começar. Vais viver no inferno pela eternidade”, disse Michelle Knight, de 32 anos. “A partir deste momento, não vou deixar que me afectes. Vou seguir a minha vida e tu morrerás um bocadinho todos os dias.”

A sentença surgiu depois de Ariel Castro ter chegado a acordo com o tribunal para evitar a pena de morte. Castro raptou Michelle Knight, Amanda Berry e Georgina DeJesus entre 2002 e 2004. Berry tinha 16 anos, DeJesus 14 e Michelle Knight 21.

As mulheres (assim como uma criança de seis anos, filha de Castro e de Amanda Berry) foram libertadas em Maio, depois de uma delas, Berry, ter conseguido pedir ajuda a um vizinho que acorreu ao chamamento, apesar de ter pensado tratar-se de uma discussão doméstica.

Berry conseguiu vir até à porta da frente da casa com a criança e gritou que precisava de ajuda e que estava sequestrada há dez anos. Depois, já a partir da casa de um vizinho, fez uma chamada para as autoridades dizendo que era a pessoa que há vários anos aparecia nas notícias e pediu que a polícia fosse rapidamente para o local.