Refugiados sírios passam de 200 mil para dois milhões em apenas um ano

Mais de metade dos que fogem da Síria são crianças. Países vizinhos estão a ficar lotados.

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Mais de metade das pessoas que fogem da guerra na Síria são crianças, segundo dados do ACNUR, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados REUTERS/Muhammad Hamed
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Cerca de 700 mil pessoas fugiram para o Líbano. As restantes estão noutros países, da Turquia à Jordânia, do Norte de África à Europa AFP PHOTO/ZAC BAILLIE
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Sírios atravessam a fronteira junto à província turca de Hatay AFP PHOTO / BULENT KILIC
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Vista aérea do campo de refugiados de Zaatari, perto da cidade jordana de Mafraq, onde vivem cerca de 115 mil refugiados sírios REUTERS/Mandel Ngan
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Com o aumento dos refugiados, a Jordânia abriu em Julho um segundo campo de refugiados. A Jordânia acolhe 1/3 dos refugiados sírios AFP PHOTO / KHALIL MAZRAAWI
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Campo de refugiados em Al Azraq, no Iraque, com 850 hectares e capacidade para cerca de 150 mil pessoas REUTERS/Muhammad Hamed
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Refugiados sírios aguardam para atravessa a fronteira no norte do Iraque. O fluxo é tanto que o limite de entrada é de 3 mil pessoas por dia REUTERS/Thaier al-Sudani
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Os dados sobre os refugiados surgem numa altura em que tanto os EUA como a França defendem uma intervenção militar no país, depois de o regime de Bashar Al-Assad alegadamente ter feito um ataque com armas químicas REUTERS/Azad Lashkari
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A guerra civil na Síria já custou a vida a mais de 100 mil pessoas, segundo a ONU AFP PHOTO / SAFIN HAMED
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Em Março, o alto comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, visitou um campo de refugiados na Turquia. Guterres fala de um número de deslocados “sem paralelo na história recente” REUTERS/Veli Gurgah
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Refugiado sírio num campo em Friedland, na Alemanha AFP PHOTO / DPA / SWEN PFÖRTNER
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Bushra e os filhos encontraram refúgio em Tripoli, no Líbano AFP PHOTO/JOSEPH EID
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Em Agosto, a Unicef e o ACNUR avançaram que o número de crianças forçadas a abandonar a Síria tinha chegado a um milhão. Mais dois milhões de jovens menores de idade continuam no país, a serem atacados ou recrutados como combatentes REUTERS/Ali Hashisho

A barreira dos dois milhões de refugiados sírios foi ultrapassada, sendo que mais de metade das pessoas que fogem da guerra na Síria para os países limítrofes são crianças, segundo indicam os últimos dados do ACNUR, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Só nos últimos seis meses o número subiu de um milhão para dois milhões de refugiados, de acordo com os mesmos dados das Nações Unidas. Ao todo, cerca de 700 mil pessoas foram para o Líbano, estando as restantes dispersas por outros países que vão da Turquia ao Iraque, Jordânia, Norte de África ou mesmo Europa. No último ano o número passou de pouco mais de 200 mil refugiados para dois milhões.

Num comunicado, o ACNUR começa por dizer que “o número de sírios forçados a procurar abrigo no exterior desde que a guerra civil começou em Março de 2011 ultrapassou a barreira dos dois milhões na terça-feira sem sinal de fim à vista”. Na nota, este organismo lembra que estamos a falar de homens, de mulheres, mas sobretudo de crianças, que “atravessam fronteiras com pouco mais do que a roupa que trazem no corpo”.

O ACNUR sublinha que a marca dos dois milhões deve servir como um novo alarme para a escalada da violência e da degradação das condições no país, isto ao mesmo tempo que os países limítrofes vão ficando sem capacidade de resposta para o número de pessoas que todos os dias tentam escapar.

Na nota, o alto comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, descreve a Síria como uma “calamidade humanitária” onde se encontra um número de refugiados “sem paralelo na história recente”. Guterres diz que a situação só está, de certa forma, a ser minimizada pela boa vontade dos países vizinhos que têm acolhido os sírios.

Também a enviada especial do ACNUR, Angelina Jolie, expressou o seu desânimo perante a situação no país que levou tanta gente a refugiar-se noutros lugares para evitar a morte e lamentou alguma “complacência” perante a guerra síria. “Se a situação se continuar a degradar a esse ritmo, o número de refugiados apenas vai continuar a crescer e alguns países vizinhos poderão chegar ao colapso”, alertou a actriz.

Um milhão de crianças refugiadas
Já no dia 23 de Agosto, a Unicef e o ACNUR tinham feito saber que o número de crianças forçadas a abandonar a tinha chegado a um milhão. Ainda assim, mais dois milhões de jovens menores de idade continuam no país, a serem atacados ou recrutados como combatentes, alertaram na altura estas organizações.

“Esta milionésima criança refugiada não é apenas mais um número”, declarou na altura o director executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Anthony Lake. “Trata-se de uma criança com nome e com rosto, que foi arrancada da sua casa, talvez até de uma família, enfrentando horrores difíceis de imaginar”, reforçou. 

“Os jovens da Síria estão a perder as casas, os familiares e o futuro. Mesmo depois de atravessarem uma fronteira em busca de segurança, continuam traumatizados, deprimidos e a precisarem de uma razão para ter esperança”, afirmou, por seu turno, António Guterres. Na Síria, segundo o gabinete liderado por Guterres, mais de 7000 crianças foram mortas durante o conflito.

Armas químicas?
Os dados sobre os refugiados surgem numa altura em que tanto os Estados Unidos como a França continuam a defender uma intervenção militar no país, depois de o regime de Bashar Al-Assad alegadamente ter feito no dia 21 de Agosto um ataque com armas químicas no qual morreram mais de 1400 pessoas, das quais 426 seriam crianças.

O Presidente norte-americano, Barack Obama, aguarda que o Congresso do país se pronuncie sobre o tema. No Reino Unido, David Cameron chegou a abordar o assunto mas o Parlamento chumbou a ideia.

Com um regime contestado de forma mais veemente há mais de dois anos, o país caiu entretanto numa guerra civil que já custou a vida a mais de 100 mil pessoas, segundo números da ONU.

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