PCP quer grupo de trabalho sobre incêndios no Parlamento

A Protecção Civil contabiliza três incêndios activos
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PCP quer incêndios em debate na AR Enric Vives-Rubio

O PCP propôs nesta terça-feira na Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar a criação de um grupo de trabalho para os incêndios florestais e a realização de visitas às áreas ardidas mais afectadas.

“Dada a complexidade e dimensão que [os incêndios] tiveram este ano, com as perdas de vida humanas que foram verificadas, decidimos propor a constituição de um grupo de trabalho e propomos que se visitem as áreas afectadas ou aquelas em que a extensão e os danos foram maiores”, disse o deputado João Ramos, do PCP.

A comissão não votou nesta terça-feira a proposta do PCP, tendo a sua votação sido adiada para a próxima reunião.
O deputado adiantou ainda que o Partido Comunista vai propor na quarta-feira que sejam ouvidos na comissão os ministros “da área” dos incêndios.

No requerimento que apresentou, o PCP frisa que a “grave situação, em área ardida, em perdas materiais, em vítimas humanas, acentua a demonstração de que a eventual melhoria e a maior aposta no dispositivo de combate a incêndios […] não resolvem o problema de fundo”.

“Infelizmente, nem as propostas de profunda alteração legislativa da política florestal nacional apontam soluções para este grave problema. Pelo contrário, apresentam soluções que poderão tender a agravá-los”, lê-se no documento.

O deputado do PSD Pedro Lynce demonstrou na comissão a “preocupação do partido em relação aos fogos que ocorreram e em relação aos mortos” e realçou a “generosidade que os bombeiros têm para ultrapassar esta situação”.

Pedro Lynce defendeu ainda que se deve “estudar com profundidade” o que se poderá fazer para ultrapassar esta situação”.
Do lado do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares disse que este foi um ano “extremamente atípico, não só na área ardida como nos resultados fatais”.

“Quero deixar uma palavra de solidariedade para com voluntários que levam à letra que se deve dar tudo em prol das populações”, disse o deputado, mostrando ainda “preocupação na necessidade de perceber o que se passou”.
O deputado Miguel Freitas, do PS, admitiu ter sido um “choque” perceber que já arderam 94 mil hectares.

“Em 15 dias arderam 50 mil hectares, o que deve merecer atenção muito especial por parte da Assembleia da República”, afirmou.

Miguel Freitas deixou ainda uma “palavra às famílias dos bombeiros falecidos e uma palavra a todo o trabalho feito pelos bombeiros”.

Pelo CDS-PP, Manuel Isaac criticou a falta de prevenção, de que todos os anos se fala, frisando que “alguma coisa terá de ser feita e a prevenção tem de ser feita”.

No final, o presidente da comissão, o deputado Vasco Cunha, do PSD, propôs a apresentação de um voto de pesar ao plenário para ser aprovado por unanimidade.