Reestruturação do BCP obriga a corte de 25% nos custos com pessoal

Concorrência europeia já aprovou plano de reestruturação do banco.

BCP é um dos bancos que já admitiu vir a recorrer aos apoios, tal como o BPI e o Banif
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BCP é um dos bancos que já admitiu vir a recorrer aos apoios, tal como o BPI e o Banif António Borges

O BCP vai avançar com um corte de 25% nos custos com pessoal até 2015, anunciou nesta segunda-feira num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. O anúncio surge na sequência da aprovação final do plano de reestruturação do banco por parte da Concorrência europeia.

“A Direcção Geral da Concorrência da Comissão Europeia anunciou a decisão formal do acordo com as autoridades portuguesas relativamente ao plano de reestruturação do BCP”, explica-se, acrescentando que o plano “está em conformidade com as regras da União Europeia em matéria de auxílios estatais, demonstrando a viabilidade do banco sem o apoio contínuo do Estado”.

Uma das medidas a implementar será “uma redução de cerca de 25% dos custos com pessoal de Dezembro de 2012 a Dezembro de 2015”, através da “continuação do processo de ajustamento da estrutura” e da “adequação do número de sucursais e restantes áreas de suporte ao negócio”. O BCP pretende manter a política de ajustar “o quadro de pessoal à procura de serviços bancários”, lê-se no comunicado.

Além disso, salienta que o foco será colocado “nas actividades core [estratégicas], o que “permitirá reforçar o apoio à economia e às famílias”. Como actividades não estratégicas, o BCP destaca os clubes de futebol e a promoção imobiliária. O “reforço do financiamento à economia” é, aliás, um dos pontos a cumprir pelo banco para assegurar “o cumprimento pleno das exigências regulatórias dos níveis de capital”.

O plano de reestruturação do banco prevê ainda “a desalavancagem do balanço, com o desinvestimento de activos não core”. Além disso, implica “a melhoria da eficiência operacional”, atingindo um retorno dos capitais próprios mínimo de 10% e um custo sobre proveitos máximo de 50%, a partir de 2016.

Por fim, o BCP sublinha “a implementação de uma nova abordagem no negócio de gestão de fundos de investimento através da adopção de um modelo de distribuição de arquitectura aberta, permitindo um leque de opções de investimento mais alargado para os clientes”.

E, quanto à actividade internacional, refere que o plano “reforça a relevância das operações estratégicas em Angola e Moçambique”, que constituem “importantes contributos para a estratégia de apoio ao tecido empresarial e para a conta de exploração do grupo”.

Quanto à operação que o BCP tem na Polónia, explica-se que é considerado um negócio estratégico, “não existindo o compromisso de alienação salvo no caso do montante dos CoCos [obrigações subordinadas de conversão contingente] a reembolsar em Dezembro de 2016 exceder 700 milhões de euros”.

O plano prevê a “alienação a médio prazo da operação que o BCP detém na Roménia, assim como a alienação da participação no banco Piraeus, resultante da venda do Millennium Bank Grécia”, conclui o BCP.