Radiação em Fukushima é 18 vezes maior do que foi medido

A libertação de radiação num local da central nuclear seria suficiente para matar uma pessoa em quatro horas. Fugas continuam por controlar.

Há mais de 100 tanques com água contaminada
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Há mais de 100 tanques com água contaminada Tepco/AFP

As medições perto de um tanque com água contaminada em Fukushima, no Japão, mostram uma radiação 18 vezes maior do que a registada há uma semana. As leituras obtidas neste sábado têm valores na ordem dos 1800 millisieverts por hora, segundo a empresa Tokyo Electric Power Co (Tepco), que gere aquela central nuclear.

Aquele valor de radioactividade é suficiente para matar uma pessoa em apenas quatro horas, mas a Tepco garantiu que a maioria desta radiação é beta, por isso tem uma baixa força de penetração nos materiais, e é facilmente bloqueável se os trabalhadores utilizarem fatos de protecção, adianta a AFP.<_o3a_p>

De acordo com os responsáveis da Tepco, a justificação para este aumento nas leituras pode dever-se à limitação dos antigos instrumentos que mediam a radiação. A capacidade de medição desses instrumentos era de apenas 100 millisieverts, enquanto os actuais instrumentos conseguem fazer leituras até os 10.000 millisieverts.

Em Agosto, a Tepco revelou que havia tanques a libertarem água contaminada. O regulador nuclear do Japão considerou, entretanto, que a gravidade desta fuga obrigava a um aumento do nível 1 (anomalia) para o nível 3 (incidente sério) na escala internacional de libertação de radiação.<_o3a_p>

Esta sucessão de incidentes na central de Fukushima mostram que a catástrofe de 11 de Março de 2011, quando um tsunami causado por um sismo que atingiu magnitude 9 na escala de Richter, no Nordeste do Japão, provocou o derretimento de três reactores e explosões na central nuclear está longe de estar resolvida. O acidente provocou a maior crise nuclear desde Chernobil, na Ucrânia, em 1986.

Há pelo menos mais dois pontos de libertação de radioactividade. Um de 220 millisieverts, noutro tanque de água contaminada, que no mês passado registava apenas 70 millisieverts. Um terceiro num cano que liga dois tanques, com uma libertação de 230 millisieverts de radiação.<_o3a_p>

Estes tanques armazenam água que serve para arrefecer os reactores. Na semana passada, os responsáveis da Tepco disseram que já tinha sido libertado para o oceano 300 toneladas de água radioactiva de uma fuga noutro tanque.<_o3a_p>

Desde o primeiro momento que a Tepco tem sido criticada quer a nível nacional quer a nível internacional, devido à forma como tem gerido esta crise. “O acidente de Fukushima não pode ser deixado inteiramente nas mãos da Tepco. Há necessidade do Governo ter um papel urgente, incluindo o de tomar medidas para as águas residuais”, disse Shinzo Abe, primeiro-ministro japonês, citado pela AFP. <_o3a_p>

Pensa-se que a desactivação da central só vai ficar concluída daqui a 40 anos, no mínimo, com um esforço financeiro de milhares de milhões de euros. Só agora é que a Tepco está a pedir ajuda a profissionais de outros países com experiência na resolução de crises nucleares.

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