As enxaquecas podem alterar o cérebro de um modo permanente

Trabalho analisou 19 estudos para compreender efeitos das enxaquecas: elas podem causar lesões cerebrais.

Foto
Cerca de dez a 15% da população tem dores de cabeça Nelson Garrido (arquivo)

“Tradicionalmente, as enxaquecas são consideradas como um problema benigno que não tem um efeito duradouro no cérebro”, considera Messoud Ashina, da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, e um dos autores deste estudo. “A nossa meta-análise leva a pensar que as enxaquecas alteram de uma forma permanente e de múltiplas maneiras as estruturas do cérbero”, explica o investigador.

A equipa constatou que as enxaquecas aumentam o risco das lesões cerebrais, provocam anomalias na matéria branca e alteram o volume do cérebro. Esse risco ainda é maior quando as pessoas que sofrem de enxaquecas têm a aura – um estado que antecede a cefaleia e que se traduz por distúrbios visuais, formigueiro e dormências no corpo, ou dificuldade na concentração e na fala.

Para esta investigação, os autores analisaram 19 estudos realizados em 13 clínicas onde os participantes fizeram uma imagem de ressonância magnética ao cérebro.

Os estudos mostram um aumento em 68% do risco de lesões no cérebro nas pessoas com enxaqueca e aura e um aumento de 34% naqueles que apenas têm enxaquecas, comparando com indivíduos sem enxaquecas. Em relação a anomalias no cérebro, o risco aumenta em 44% nas pessoas com enxaqueca com aura, comparativamente aos doentes que não têm aura.

“As enxaquecas afectam, em geral, dez a 15% da população e podem ser muito incapacitantes”, nota Messoud Ashina. “Esperamos que, com outros investigadores, possamos clarificar a ligação entre as mudanças das estruturas cerebrais e as frequências e a duração das enxaquecas, e ainda compreender os efeitos destas lesões cerebrais nas funções mentais.”