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Tiago Pereira convida

Programação do Varandim da Torre dos Clérigos

No Optimus D'Bandada, a programação do Varandim da Torre dos Clérigos é da responsabilidade de Tiago Pereira. O realizador convidou Ecos TradicionaisSampladélicosLavoisier, Pedro MestrePropagodeRe Timbrar e Omiri

Tiago Pereira nasceu em Lisboa. Os anos 80 atravessaram-lhe a adolescência, vivida no contexto do urbano-popular Bairro Alto. O seu trabalho distingue-se por uma abordagem particular da tradição oral portuguesa: ele recolhe para recriar, para desconstruir, e não para reproduzir acriticamente. Tiago Pereira empenha-se em libertar a tradição, preservando-a sem a sufocar. É mentor, e um dos criadores do projecto A Música Portuguesa a Gostar dela Própria. Em 2010 foi distinguido com um Prémio Megafone – Missão, pelo trabalho que tem vindo a desenvolver na difusão da música portuguesa.

“Dêem-me duas velhinhas, eu dou-vos o universo” é a mais recente obra do realizador/visualista Tiago Pereira, que desta vez assume o papel de curador/ autor, num disco de recolhas musicais portuguesas editado pela Optimus Discos. São 26 músicas do Norte ao Sul do País e Ilhas, gravadas no período entre Março de 2011 e Novembro de 2012 para diversos projectos audiovisuais do autor.


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O nome do disco surge de uma frase do artista e pensador Paul D Miller a.k.a Dj Spooky; "Give me two records and I will give you the universe” e representa uma espécie de manifesto/motivação para o autor que se posiciona um pouco entre o Alan Lomax e o Dj Spooky; defendendo que os arquivos e as recolhas são importantes para que uma comunidade se conheça, “Um povo sem memória não existe”, mas também que esses arquivos têm de existir para que se trabalhe a partir deles, remisturando-os, dando-lhes outros significados e contextos.

As recolhas aqui desempenham um papel narrativo, contam uma história e acima de tudo, estão dispostas para serem roubadas, alteradas, mexidas, contaminadas e acima de tudo para cumprir o seu papel no processo da tradição oral hoje que é o remix, a cultura digital do século XXI. O disco não contem só gravações de velhinhas, na maior parte dos casos são até jovens que apresentam aqui as suas versões do que assimilaram através do processo da tradição oral das raízes musicais portuguesas, com as suas influências e gostos e por isso mesmo, a última faixa do disco são duas jovens de 20 anos que cantam em versao “a capella” uma música do cancioneiro popular português mas acompanhadas por um beat boxer que representa uma outra forma de tradição oral, esta não portuguesa, mas que foi assimilada, cumprindo assim a sua função no século XXI.