Candidatura de Menezes diz que só pagou contas a uma idosa doente

Candidato do PSD reage a notícia do PÚBLICO.

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Menezes diz estar a ser alvo de um “ataque de homicídio pessoal e político inacreditável”. Paulo Pimenta

Numa declaração lida na sede de campanha, e sem direito a perguntas, Amorim Pereira disse que “o candidato Luís Filipe Menezes nunca prometeu ou concretizou atitudes como aquelas que são relatadas pelo jornal PÚBLICO”.

“Uma única vez, e na decorrência de uma visita a uma idosa, doente, num local particularmente insalubre, ele e a comitiva que o acompanhava foram confrontados com uma situação em que essa mesma idosa, em estado de saúde muito precário, necessitava de comprar medicamentos no valor de 250 euros, com carácter de urgência”, diz a nota lida pelo advogado de Menezes.

“Acresce que nesse mesmo dia tinha sem falta que liquidar duas pequenas contas da fruição da sua casa, o que lhe impediria de comprar os citados medicamentos. Face a esta situação, única e particularmente tocante e dramática do ponto de vista humano, os elementos da comitiva em apreço quotizaram-se entre si para pagarem essas duas contas, uma no valor de 49,99 euros e outra no valor de 84,44 euros. Estes valores foram pagos em acto de genuína generosidade solidária, por transferência bancária, com data de 19 de Agosto”, acrescentou Amorim Pereira.

O porta-voz de Menezes finalizou o comunicado afirmando que “destes factos, e de outros que ardilosamente têm sido construídos” será dada conta “aos diversos órgãos de soberania competentes, nomeadamente ao Ministério Público”.

O PÚBLICO noticiou nesta sexta-feira que na segunda-feira de manhã, Luís Filipe Menezes recebeu na Câmara de Gaia, à qual ainda preside, inquilinos da autarquia à qual se candidata, com quem conversou e a quem solicitou os comprovativos das rendas da casa relativas ao mês em curso que ainda não tinham sido pagas. Mas não foi a primeira vez que o fez. Num dos casos, de acordo com relatos feitos ao PÚBLICO, Menezes pagou a renda de casa da inquilina e liquidou a factura da luz que se encontrava em atraso. E deu dinheiro a uma idosa para almoçar e pagar o transporte de regresso ao Porto.

O caso motivou já uma queixa do Bloco de Esquerda à Comissão Nacional de Eleições (CNE), cujo presidente já admitiu que Menezes tenha violado a lei eleitoral.