Jerónimo enaltece exemplo de Cunhal para actual luta contra a austeridade

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Álvaro Cunhal (segundo a contar da esquerda) nos anos 1920, no Liceu Camões
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Cunhal nos 1930
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Cunhal na altura em que foi preso, nos anos 1940
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Álvaro com a filha Ana, nos anos 1960
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Álvaro Cunhal, em Moscovo, numa conferência internacional, nos anos 1960
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Álvaro Cunhal, no exílio. Foto tirada entre 1967 e 1973, eventualmente na Roménia ou em França, países onde viveu
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Cunhal à chegada ao aeroporto de Lisboa, após o 25 de Abril de 1974
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Álvaro Cunhal com Maria Lamas, Fernando Lopes-Graça e Armindo Rodrigues, depois do 25 de Abril
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Com outros líderes comunistas, como Gustav Husák, Fidel Castro e Erich Honecker, numa conferência internacional, anos 1970
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No Parlamento, em Agosto de 1976
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Acompanhado por Jerónimo de Sousa (actual secretário-geral), após o 25 de Abril
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Cunhal numa pausa nos trabalhos de uma reunião do PCP, a preparar os seus documentos
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Num momento de lazer, nos anos 1980
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Com Carlos Carvalhas e Nelson Mandela, a 5 de Outubro de 1993, quando Mandela visitou Lisboa
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Com Octávio Pato, José Vitoriano, Joaquim Gomes, Blanqui Teixeira, Jaime Serra, Sérgio Vilarigues e Dias Lourenço, que com ele construíram o PCP na clandestinidade. Foto de Eduardo Gageiro, em Outubro de 1998
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Cunhal com Vasco Gonçalves, antigo primeiro-ministro do PREC, no final dos 1990

O secretário-geral do PCP enalteceu hoje o exemplo do histórico dirigente comunista Álvaro Cunhal, cujas "vivências e valores" disse servirem de inspiração para "as lutas" contra a "política de austeridade".

"Vivências e valores que passarão de pais para filhos e que jamais se apagarão, como bem se vê no entoar de ‘Grândola, Vila Morena' que as simboliza, nas lutas que hoje se travam contra a política de austeridade e destruição, impostas pelas troikas nacional e estrangeira ao povo português e ao país", afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista discursou na muito concorrida apresentação da fotobiografia de Cunhal, no Lyceu Camões, em Lisboa, cujo auditório foi pequeno para acolher mais de meio milhar de pessoas, divididas pelas coxias e galerias.

"Estar onde estão as massas, trabalhar e aprender com elas e com elas agir na defesa dos seus interesses, foi a palavra de ordem que então se impôs e que hoje mantém toda a actualidade, particularmente quando assistimos à mais brutal ofensiva contra as conquistas que são o resultado da luta de gerações de trabalhadores e se impõe pôr fim a uma política, a um pacto de agressão e a um Governo de desastre nacional", disse.

Álvaro Cunhal, falecido em 13 de Junho de 2005, com 92 anos, nasceu em Coimbra a 10 de Novembro de 1913, comemorando-se este ano o seu centenário. O ex-líder do PCP foi detido pela polícia política em 1949 e passou toda a década de 1950 preso, conseguindo fugir da prisão de Peniche em 1960. Eleito secretário-geral comunista em 1961, abandonou o cargo em 1992, sucedendo-lhe Carlos Carvalhas.

"(Esta obra) revela-o na plenitude e diversidade da sua vida, intervenção política, como militante e dirigente, estadista, intelectual, ensaísta, criador literário, artista plástico, teorizador de arte, mas igualmente nas suas relações mais íntimas e pessoais, como filho, pai, irmão, companheiro que amou os seus com a mesma intensidade com que foi amado", sublinhou Jerónimo de Sousa.

O actual deputado do PCP destacou a "contribuição decisiva" de Cunhal para a construção daquele partido e das suas bases programáticas até ao presente documento aprovado no último congresso "Uma Democracia Avançada, valores de Abril no futuro de Portugal".

"Um programa para responder aos problemas de desenvolvimento do país na actual etapa histórica, parte integrante e constitutiva da luta pelo socialismo e cuja realização é indissociável da luta que hoje travamos pela concretização da rotura com a política de direita e a materialização de uma política patriótica e de esquerda", defendeu.

Para Jerónimo de Sousa, após apresentada a obra que conta com mais de 800 imagens, 260 das quais documentos como desenhos, pinturas e ilustrações ao longo de 10 capítulos, "o que transparece é a força das convicções e do ideal que Álvaro Cunhal afirmou ao longo de uma vida toda, de uma luta inteira, o ideal comunista".