Manning quer viver como mulher e chamar-se Chelsea

Soldado que passou informação à Wikileaks quer ser sujeito a tratamento hormonal.

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Bradley Manning
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Bradley Manning, vestido de mulher, em 2010 Reuters

Bradley Manning, o soldado norte-americano condenado na quarta-feira a 35 anos de prisão por passar documentos secretos à Wikileaks, quer viver daqui para a frente como mulher e chamar-se Chelsea. “Sou a Chelsea Manning. Sou uma mulher”, disse o soldado de 25 anos que foi julgado pela autoria da maior fuga de informação de sempre nos EUA.

Num depoimento escrito lido pelo pela anfitriã do programa Today, do canal norte-americano NBC, Manning contou que desde a infância que se sentia mulher. "Como uma transição para esta nova fase da minha vida, quero que todos conheçam o meu verdadeiro eu. Sou Chelsea Manning, sou uma mulher."

O soldado que passou 700 mil documentos da diplomacia norte-americana à Wikileaks acrescenta que pretende agora fazer tratamento hormonal e consumar a mudança de sexo. “Face ao que sinto e senti desde a infância, quero começar um tratamento hormonal logo que possível. Espero que me apoiem nesta transição.”

Um porta-voz do Exército norte-americano, citado pela Reuters, adiantou que a instituição não paga tratamentos hormonais nem cirurgias para mudança de sexo.

Na Wikipedia, quem pesquisar neste momento pelo nome do soldado vai parar a uma página que tem Bradley no endereço, mas cujo título já remete para Chelsea.

David Coombs, o advogado de Manning, disse no programa da NBC esperar que o Presidente Barack Obama venha a perdoar o seu cliente, condenado na quarta-feira a 35 anos de prisão pela maior fuga de informação de sempre nos Estados Unidos, passando mais de 700 mil documentos à Wikileaks. Poderá ter liberdade condicional após cumprir um terço da pena.

A homossexualidade não era segredo na base militar no Iraque onde o soldado esteve colocado, entre 2009 e 2010, e onde obteve os documentos que entregou à Wikileaks. E o facto de se sentir mulher acabou por emergir durante o julgamento militar a que foi sujeito. Isto porque a defesa do soldado, que enfrentou um pedido de 60 anos de prisão por parte da acusação, quis demonstrar que Manning tinha sido basicamente abandonado pelos seus superiores, tentando com isso argumentar que só produziu a fuga de informações porque ninguém o deteve. E ao traçar o perfil psicológico de Manning, a defesa revelou um homem com problemas psicológicos e com dúvidas sobre a identidade sexual.

Aliás, na Internet, Manning libertara-se desses constrangimentos sexuais através de uma identidade falsa: Breanna Manning era o seu alter-ego em redes sociais como o Twitter, por exemplo.