No mundo do Pico

Com o espírito sempre a ascender à mais alta montanha de Portugal, viajamos o olhar por esta ilha açoriana delineada a verde e preto, a vinha, arvoredo e lava. 

O Pico visto à entrada das Lajes do Pico Miguel Madeira
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O Pico visto à entrada das Lajes do Pico Miguel Madeira

A ilha do Pico não é a maior ilha dos Açores, nem a mais populosa, nem a mais festeira. Não tem os contornos bordados a praias de areia fina, a sua montanha nem sempre se deixa ver e é um bicho duro de roer para se escalar. E não nos sentimos verdadeiramente isolados, porque do Pico vê-se a Horta e São Jorge, cada uma de seu lado. O Pico é lindo porque, não sendo tudo isto, é muito mais.

Não tem demasiados turistas – tem mais viajantes, e a distinção, sendo um preciosismo retórico e uma espécie de sintoma da luta de classes no sector das viagens, é importante.

Não tem muitos restaurantes que sejam mesmo, mesmo de recomendar - é preciso escavar para encontrar a bela comida do Pico, mas ela existe e não é preciso lutar com hordas de estrangeiros por ela, especialmente se tivermos a sorte de ser convidados a entrar numa das casas dos picarotos e provar o que só eles sabem preparar.

No Pico pode-se fazer surf, mergulho e ver as mais belas criaturas da fauna submarina do Atlântico, dos golfinhos às baleias, passando pelas mantas e outros bicharocos relaxantes. No Pico pode-se nadar, escorregando da pedra de lava para o mar, em sítios óbvios como as Lajes ou mais recônditos na costa norte da ilha.

O Pico é muito verde e preto, muita vinha, arvoredo e lava.

[Joana Amaral Cardoso]