PS e CDS acusam Ruas de andar a entregar cheques à porta de igrejas

Adros das igrejas transformaram-se em palco da pré-campanha em Viseu
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Adros das igrejas transformaram-se em palco da pré-campanha em Viseu PAULO RICCA/Arquivo

Candidatos criticam o actual presidente. Ruas diz que não tem de dar explicações e que sempre fez aquilo.

Os candidatos do PS e CDS-PP à Câmara de Viseu acusam o actual presidente da autarquia de andar a distribuir "esmola generosa" à porta de igrejas. José Junqueiro (PS) e Hélder Amaral (CDS-PP) criticam a forma como o social-democrata Fernando Ruas entregou contribuições financeiras, no âmbito da assinatura de contratos-programa, nas paróquias do Viso Sul e São João de Lourosa, em actos que decorreram antes do início das missas e no adro das respectivas igrejas perante uma plateia de paroquianos que ali estavam para assistir às homilias.

Para José Junqueiro, Fernando Ruas está a usar os adros de igrejas como "palco" de uma pré-campanha com quatro anos de antecedência. "Há quem diga que já esturricou cerca de três milhões de euros em entrega de subsídios e assinaturas de contratos-programa com instituições, além da realização de iniciativas populares. Isto assume-se como uma campanha prévia e descarada à custa do erário público", sustenta o candidato socialista.

José Junqueiro é da opinião que, a poucos dias de terminar o mandato, Fernando Ruas poderia evitar "este tipo de espectáculos degradantes" e acusa o também presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) de estar a "assumir" compromissos quando está de saída e a criar constrangimentos para o futuro executivo. "É um péssimo exemplo. É como se um governo em gestão estivesse a assumir compromissos pelo país", exemplifica.

Os últimos actos públicos de Fernando Ruas são igualmente criticados pelo candidato do CDS-PP. Recorrendo à ironia, o deputado Hélder Amaral aponta o dedo ao ainda presidente da câmara de andar a "fazer o bem mas a olhar a quem".

"O actual presidente da autarquia terá, no período antes da missa, proferido um sermão da esmola generosa agradecendo aos católicos viseenses o terem confiado nele durante mais de duas décadas e firmando esse reconhecimento com a assinatura no local de um chorudo cheque", denuncia Hélder Amaral. Uma atitude que, para o candidato democrata-cristão, seria de "benemérita generosidade do cidadão Fernando Ruas", caso fosse "um cheque pessoal". Não o sendo, questiona a natureza do acto e a razão e os critérios que estiveram na selecção destas paróquias em detrimento de outras.

Para Hélder Amaral, há duas conclusões a retirar: pouca confiança de Fernando Ruas na candidatura liderada por Almeida Henriques, que é agora o candidato do PSD, e a preparação para o seu regresso em 2017.

"Podemos concluir estarmos perante um repudiável acto de campanha que, assim sendo, configura o grau zero da política local. Fernando Ruas escolheu desta forma a "porta pequena" da saída para o regresso anunciado em 2017, o que desde logo demonstra também "a pouca ou nenhuma fé" que terá na actual proposta da candidatura social-democrata ao seu lugar na autarquia", sublinha Hélder Amaral.

Aos candidatos à autarquia, Fernando Ruas diz não ter de dar explicações. "Faço o que fiz todos os anos, e não só em alturas eleitorais, e com os mesmos critérios." O autarca lembra que o seu mandato só termina em Outubro e que, até lá, vai onde quiser e onde "me receberem".

"Ainda no último domingo foi o pároco de São João de Lourosa que escolheu o adro da igreja como o local para a assinatura do contrato-programa. Dali, fui para a sede da junta onde assinei mais dois. E tenho mais subsídios e contratos-programa para entregar e posso fazê-lo graças à gestão financeira equilibrada que fiz durante todos estes anos à frente da autarquia", ressalva.

O autarca viseense deixa ainda o aviso de que "não vale a pena" andarem a acusá-lo de andar a fazer campanha e recorda que sai da câmara "sem ser derrotado". "Outros há que vão para a segunda edição. Candidataram-se há 20 anos, perderam e agora regressam", sublinha, referindo-se a José Junqueiro.

Fernando Ruas está há 24 anos à frente da Câmara de Viseu e não descarta a hipótese de regressar no final dos quatro anos do "castigo" impostos pela lei da limitação de mandatos. "Não digo que não nem que sim. Mas não tenho de abdicar dos meus direitos", conclui o autarca social-democrata.