Líder da Irmandade Muçulmana detido no Cairo

Mais de mil islamistas terão sido detidos numa semana. Mohammed Badie era o mais procurado do movimento que tem liderado as manifestações.

Badie foi detido num apartamento perto de um dos locais mais violentos no Cairo na última semana
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Badie foi detido num apartamento perto de um dos locais mais violentos no Cairo na última semana Amr Abdallah Dalsh/Reuters

O guia supremo da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, 70 anos, foi detido na madrugada desta terça-feira no Cairo. A detenção ocorre cerca de uma semana depois do início dos confrontos entre apoiantes do Presidente deposto Mohamed Morsi e as forças de segurança. A violência no país agravou-se nas últimas 24 horas com a morte de 25 polícias no Sinai e de 37 islamistas que tinham sido detidos.

Imagens de Badie, sentado num sofá, vestido com uma túnica branca e de ar abatido, foram divulgadas esta manhã pelas televisões egípcias e terão sido captadas momentos após a sua detenção num apartamento perto da praça Rabaa al-Adawiya, palco de violentos confrontos na última semana.

Além do líder da Irmandade Muçulmana, que era procurado há mais de um mês, outros dois outros altos dirigentes do movimento foram detidos. Nos últimos dias, estima-se que mais de mil islamistas tenham sido detidos.

Badie, que perdeu um dos filhos durantes os confrontos com as forças de segurança, é acusado pelo governo egípcio de incitação à violência, através dos apelos a manifestações de resposta à actuação das autoridades que têm sido feitos e reforçados ao longo da última semana. A Irmandade Muçulmana é acusada de “conspiração terrorista”.

Desde a “quarta-feira sangrenta”, na semana passada, com confrontos que terão levado à morte de pelo menos 900 pessoas – incluindo mais de 100 polícias e militares, segundo um balanço que tem vido a ser actualizado –, que a tensão está instalada no Egipto. O Cairo tem registado violentos confrontos entre apoiantes pró-Morsi e as forças de segurança, e na segunda-feira ocorreu aquele que é considera o ataque mais mortífero dos últimos anos contra forças de segurança no Egipto. Pelo menos 24 polícias morreram quando um rocket atingiu a coluna de veículos em que seguiam.

No domingo, surgiu a informação de que 36 manifestantes islamistas tinham morrido durante a detenção. Nas ruas do Cairo era avançado que os membros da Irmandade Muçulmana teriam morrido num motim numa prisão. Outra versão contava que teriam sufocado num carro prisional sobrelotado, devido ao uso de gás lacrimogénio. A agência estatal Mena informou, por sua vez, que os detidos teriam tentado evadir-se durante a transferência de uma prisão do Cairo para uma prisão nos subúrbios, e que a carrinha teria sido atacada por homens armados.

A violência no Egipto tem estado a ser acompanhada com preocupação pela comunidade internacional. Os apelos à contenção de ambas partes nos confrontos são repetidos desde a União Europeia aos Estados Unidos, mas sinais de acalmia não são visíveis no país, com troca de ameaças entre exército e Irmandade Muçulmana.

O novo homem forte do Egipto, o general Abdel Fattah al-Sissi, garantiu mesmo que o país “não se vergará diante da violência dos islamistas”, num discurso perante chefes militares e da polícia, no dia em que a Irmandade Muçulmana cancelou duas das manifestações previstas para este domingo, “por motivos de segurança”.