Site que terá levado a suicídio de jovem britânica anuncia medidas de segurança

Ask.fm vai contratar mais pessoas para rever os comentários deixados pelos utilizadores, que são sobretudo adolescentes.

O site permite colocar perguntas e dar respostas anonimamente
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O site permite colocar perguntas e dar respostas anonimamente

O site Ask.fm, uma rede social criada na Letónia e na qual os utilizadores podem colocar perguntas e dar respostas anonimamente, anunciou novas medidas de segurança, na sequência de um caso recente de cyberbullying.

Os responsáveis do site disseram que iriam contratar mais pessoas para moderar os comentários no site, bem como passar a incluir a opção de denunciar um comentário especificamente por bullying ou assédio. Para além disso, vão tornar mais visível a funcionalidade que permite aos utilizadores não receber comentários anónimos, limitar as funcionalidades que estão acessíveis a utilizadores não registados e ainda exigir um email aos utilizadores que se registem. As mudanças deverão começar a ser implementadas no próximo mês.

O site, que é usado sobretudo por adolescentes, tem estado sob uma chuva de críticas na sequência do caso de uma jovem britânica que se suicidou no início deste mês, depois de ter sido repetidamente alvo de ataques e insultos naquela plataforma. Hannah Smith, de 14 anos, foi encontrada enforcada no quarto. O pai associa a morte da filha à actividade no Ask.fm. Entre as mensagens deixadas no perfil da jovem estavam algumas como "morre, toda a gente ficará feliz", "faz-nos um favor e mata-te" ou "ninguém se importa se morreres, cretina".

O caso gerou uma onda de indignação no Reino Unido, incluindo por parte do primeiro-ministro. David Cameron, que tem tentado impor regras de segurança e controlo de conteúdos a empresas a operar na Internet, apelou a que este género de sites fosse boicotado. Várias empresas optaram por retirar a publicidade do Ask.fm.

Em entrevista à BBC, o pai de Hannah, David Smith, viu as mudanças com bons olhos. “Eles estão a dar um passo em frente e a tornar as coisas mais seguras para as crianças na Internet”, afirmou, dizendo que o site não precisa de ser fechado, mas apelando a uma maior intervenção governamental. “O Governo precisa de criar nova regulação para que as pessoas estejam seguras na Internet”.