No primeiro emprego, salários variam até 300 euros conforme a licenciatura

O mercado valoriza quem, tendo o ensino superior, tem graus académicos mais elevados
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O mercado valoriza quem, tendo o ensino superior, tem graus académicos mais elevados ENRIC VIVES-RUBIO

Estudo aponta disparidades nos salários médios dos licenciados. Diplomados da área da saúde são os que mais ganham no primeiro emprego. Curso superior ainde protege do desemprego

A diferença de salários no primeiro emprego de dois jovens licenciados pode chegar aos 300 euros por mês. Tudo depende do curso superior que se tirou.

É este o valor apurado a partir do rendimento médio de um diplomado na área mais bem paga, a da saúde, e o observado entre os que se formaram na área da agricultura, onde se encontram os vencimentos mais baixos no primeiro emprego.

Os dados dizem respeito a 2009 e constam de um estudo lançado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES).

Orelatório Empregabilidade e Ensino Superior em Portugal demonstra ainda que os jovens que frequentaram uma universidade ou politécnico ganham mais do que aqueles que não têm formação superior.

Das oito áreas em que o estudo dividiu os licenciados, a da saúde é aquela onde estão os salários mais elevados para o primeiro emprego, ascendendo a 1252,57 euros mensais (média).

Seguem-se as áreas das ciências, matemática e informática (1237,92 euros por mês, em média) e engenharia, indústria e construção (1172,47 euros).

Trabalhos do sector das artes e humanidades são pior remunerados: a A3ES fala de um salário médio no primeiro emprego de 1010,35 euros por mês. Mas os salários são ainda menores para quem tirou licenciaturas que dão acesso a empregos nos serviços (986,88), atingindo o valor mais baixo para os diplomados em cursos ligados à agricultura.

Estes últimos recebem, em média, 947,13 euros mensais, o que resulta numa diferença de 305,44 face aos colegas mais bem pagos no mercado.

O estudo da A3ES recolheu dados ao longo de seis anos, tentando avaliar o impacto da entrada em vigor do Processo de Bolonha. E regista uma variação positiva: o salário médio no primeiro emprego de um jovem com formação superior passou de 1070,38 euros, em 2003, para 1128,96, em 2009, um crescimento de quase 60 euros.

Ao mesmo tempo, houve um crescimento superior (102 euros) do salário médio dos não-diplomados. Mas os licenciados continuam a ganhar mais: o vencimento dos não-diplomados no seu primeiro emprego não ultrapassa os 678,92 euros por mês.

Ter um curso superior continua, de resto, a ser garantia de acesso mais facilitado ao mercado de trabalho e de obtenção de rendimentos superiores. Os diplomados do ensino superior presentes pela primeira vez no mercado de trabalho em 2009 auferiam, em média, uma remuneração superior em 40% à do conjunto dos portugueses que, nesse ano, também estavam a trabalhar pela primeira vez.

Menos desemprego

O relatório Empregabilidade e Ensino Superior em Portugal foi encomendado pela A3ES e realizado por uma equipa de investigadores do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e do Centro de Investigações Regionais e Urbanas do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa.

Os autores analisaram diversos dados, para além do valor dos salários. E concluem que os licenciados estão a ser menos afectados pelo desemprego nos últimos anos do que os indivíduos sem formação superior.

Apesar de pôr em causa a fiabilidade da informação (ver caixa), observaram, por exemplo, os dados relativos a desempregados registados nos centros de emprego, confirmando que há mais pessoas nessa situação com um diploma de ensino superior.

No entanto, nota-se no relatório, não há um incremento equivalente do seu peso no total de desempregados inscritos, pelo que o aumento do total de diplomados inscritos não é mais do que o reflexo do aumento do desemprego.

Além disso, a análise do desemprego dos diplomados do ensino superior efectuada com base nos dados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística revelou um perfil de evolução da taxa de desemprego dos diplomados e não-diplomados "relativamente distinta".

A taxa de desemprego entre os diplomados foi sempre inferior à dos não-diplomados, tendo essa diferença aumentado no período mais recente. Ou seja, "a taxa de desemprego dos diplomados não aumentou tanto quanto a dos não-diplomados no contexto da actual crise".

Mais: entre os diplomados com ensino superior, verifica-se que aqueles que possuem graus mais elevados (mestrados, doutoramentos...) tendem a registar taxas de desemprego inferiores, sugerindo que há uma valorização por parte do mercado dessas qualificações adicionais.