Ondas de calor vão ser mais frequentes e intensas até 2040

Fenómeno é inevitável pelo menos até meados do século, dizem os investigadores. Depois, pode diminuir se baixarem também as emissões de gases poluentes.

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Cientistas alertam para desafios que se colocam às populações perante estes cenários Miguel Manso/Arquivo

Publicado nesta quarta-feira na revista Environmental Research Letters, o estudo conclui que a superfície do planeta afectada por ondas de calor extremas no Verão pode duplicar em 2020, passando dos actuais 5% para 10%. Essa área será quatro vezes maior em 2040, ou seja, 20% do planeta. Os autores Dim Coumou e Alexander Robinson consideram este cenário inevitável.

Segundo o estudo, as ondas de calor de grau três (designadas 3-sigma, por se distanciarem da média histórica em três desvios-padrão) vão tornar-se mais fortes independentemente da quantidade de gases com efeito de estufa emitidos nos próximos anos.

As regiões tropicais serão as mais afectadas, uma tendência já observada entre 2000 e 2012, tal como as zonas do Mediterrâneo e do Médio Oriente.

As ondas de calor ainda mais extremas (5-sigma, com cinco desvios-padrão), muito raras actualmente, atingirão 3% da superfície do planeta em 2040, sobretudo nas zonas tropicais, lê-se no estudo.

Por outro lado, a redução das emissões de gases com efeito de estufa pode reduzir e estabilizar o número de episódios de calor extremo na segunda metade do século XXI, realça o estudo.

Mas os investigadores admitem outro cenário, no qual as emissões de CO2 continuarão a aumentar ao ritmo actual. Nesse caso, a superfície terrestre sujeita a ondas de calor extremas aumentará 1% ao ano a partir de 2040. Em 2100, as ondas de calor de nível 3 afectarão 85% do planeta e as de tipo 5 afectarão 60%.

Os autores do estudo alertam para os “graves desafios de adaptação” que se colocam às populações perante estas previsões.