Emigrantes em férias "podem e devem" reforçar vacina do sarampo

Direcção-Geral da Saúde quer aproveitar o regresso a casa dos emigrantes para optimizar a cobertura vacinal em Portugal, onde a vacina é gratuita. França é dos países que têm registado mais casos na Europa

Apesar da progressiva diminuição do número de casos de sarampo na Europa, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) reforça o apelo à vacinação com uma mensagem especialmente dirigida aos emigrantes que regressam ao país nesta altura do ano. "Podem e devem fazê-lo em qualquer centro de saúde, gratuitamente", diz a subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas, para quem esta é mais uma oportunidade para "dar ênfase à necessidade das pessoas serem vacinadas". Os casos de sarampo registados em Portugal foram todos importados de outros países.

Os dados mais recentes sobre a doença mostram que o número de casos tem vindo a cair progressivamente na região europeia, encontrando-se agora numa situação "estável". Apesar disso, nos últimos três anos registaram-se mais de 90 mil casos de sarampo, sendo que mais de metade ocorreu em adolescentes e adultos. Embora classificada como estável, "a actual situação epidemiológica do sarampo na Europa aumenta a probabilidade de importação de casos de doença para Portugal", avisa a DGS.

O relatório de vigilância do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças revela que entre Maio de 2012 e Abril de 2013 foram reportados 8586 casos em 25 países e que 95% destes registos dizem respeito a apenas seis países (Roménia, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Espanha). O mesmo documento revela que neste período foram notificados seis casos em Portugal - cinco foram confirmados com análises laboratoriais. O caso mais recente remonta a Abril deste ano. Em Portugal ocorreram nos últimos nove anos 23 casos confirmados de sarampo, todos importados ou relacionados com casos importados. Apesar destes resultados, a DGS não quer baixar os braços no controlo da doença causada por um vírus que não circula de forma endémica no país pelo menos desde 2004. E a arma a usar é a vacina.

Assim, a DGS volta a aconselhar a vacinação de adultos que não tenham historial comprovado de sarampo e que tenham nascido depois de 1970. Já os nascidos antes de 1970 não estão abrangidos por esta recomendação, a não ser que tenham estado expostos a casos de sarampo ou feito viagens a locais onde haja um surto da doença. Uma orientação que está incluída no conjunto de medidas previstas no Programa Nacional de Eliminação do Sarampo (PNES), publicado no início deste ano. O objectivo central deste programa nacional é manter a ausência de circulação do vírus em Portugal, com estratégias que passam pelo aumento da cobertura da vacinação nos profissionais de saúde e pela protecção de cidadãos que viajam para regiões onde a doença é endémica.

95% da população vacinada

O alerta é reforçado nesta altura de férias, com especial enfoque nos emigrantes que chegam de países onde o número de casos de sarampo é bastante mais elevado. "Há muitos portugueses que regressam a casa vindos de França e da Alemanha, países onde ainda há um número considerável de casos de sarampo. São pessoas que podem aproveitar para actualizar esta vacinação, de forma gratuita", refere Graça Freitas. Para isso, esclarece, "basta dirigirem-se ao centro de saúde do local onde estão a passar as férias".

A subdirectora-geral da Saúde aproveita ainda para lembrar que esta oportunidade para proteger a saúde individual e a saúde pública estende-se a todos, sem excepção. "Mesmo pessoas que estejam em situação ilegal no país. Felizmente, em Portugal isso não interessa e todos têm sempre acesso à vacinação."

De acordo com Graça Freitas, a comissão nacional independente, criada no âmbito do PNES, enviou em Julho para a Organização Mundial da Saúde (OMS) um relatório sobre a situação portuguesa. Apesar de não avançar pormenores sobre os dados, a responsável adianta que o relatório "mostra que Portugal está muito bem posicionado" nesta área, lembrando o reduzido número de casos no país e ainda a taxa de cobertura vacinal da população portuguesa, que se situa acima dos 95%. "Portugal vai certamente contribuir para alcançar a meta definida para a região europeia pela OMS [que quer erradicar o sarampo até 2015]", nota. A vacina contra o sarampo está incluída no Plano Nacional de Vacinação.