Navios de guerra britânicos visitam Gibraltar em plena crise

Frota vai passar pelo território a caminho de um exercício de rotina mas a meio da maior crise em anos entre Londres e Madrid.

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Espanha ameaçou impor mais taxas de fronteira Jon Nazca/Reuters

Uma frota de guerra britânica vai partir segunda-feira com destino ao Mediterrâneo, passando por Gibraltar. O destino final dos navios é o Golfo Pérsico, onde vão participar num grande exercício militar, mas a escala em Gibraltar acontece no meio de uma crise entre os governos do Reino Unido e de Espanha sobre o território britânico.

“Gibraltar é uma base estratégica para a defesa do Reino Unido. Os navios da marinha real visitam as suas águas ao longo do ano como parte de uma série regular de deslocações de rotina”, disse um porta-voz do Ministério da Defesa de Londres citado pelo jornal The Daily Telegraph.

A frota vai ancorar em Portugal e fazer escala em Cádis antes de chegar à base militar de Gibraltar. O Governo espanhol confirmou ao diário El País que está a par da visita, descrevendo-a como rotineira e considerando que não constitui motivo de preocupações. O porto por onde os navios passarão em Cádis é da NATO e a frota vai participar num exercício com países aliados, o Cougar, o que levou a que Espanha a autorizasse a ancorar.

A deslocação dos três navios britânicos acontece anualmente desde 2011 e o Ministério da Defesa britânico garante que a visita a Gibraltar não tem qualquer relação com os problemas dos últimos dias na fronteira. Mas a notícia surge um dia depois do telefonema entre os primeiros-ministros David Cameron e Mariano Rajoy, uma conversa que terminou com poucas decisões, e o El País nota que é difícil que a passagem dos navios não faça crescer a actual tensão.

A maior crise em anos começou quando as autoridades de Gibraltar lançaram blocos de cimento ao mar para criar uma barreira – Gibraltar diz que o objectivo é encorajar a vida marítima, Madrid considera que é impedir a passagem aos pescadores espanhóis. Em resposta, o Governo espanhol ameaçou pôr em prática uma série de medidas, incluindo introduzir uma taxa de 50 euros para viaturas que passem a fronteira ou mudar a lei sobre as empresas de jogo online que operam no território – a par da banca offshore e do turismo, esta é uma das principais fontes de rendimento do território de 30 mil pessoas.

Entretanto, Espanha apertou os controlos fronteiriços e o resultado foram as maiores filas de que os habitantes têm memória. O Reino Unido assegurou que ia “usar todos os meios necessários para salvaguardar a soberania britânica” e o governador de Gibraltar, Fabián Picardo, pediu a Londres o envio de uma frota de guerra – sabendo certamente que esta estava quase a chegar.

Espanha contesta a soberania do Reino Unido sobre Gibraltar, mas em 2002 98% dos cidadãos disseram num referendo que queriam manter-se assim. Ao contrário dos governos socialistas, o Governo de direita de Mariano Rajoy adoptou uma linha mais dura em relação ao território.