Menezes não quer realojamentos no Porto que atirem pessoas para guetos

Autarca de Gaia e candidato ao Porto considerou desumano os despejos no Bairro Nicolau, ocorridos na quarta-feira nesta última cidade.

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Aparato policial marcou operação de despejo no Bairro Nicolau, no Porto. Fernando Veludo/NFactos

O presidente da Câmara de Gaia e candidato do PSD ao Porto, Luís Filipe Menezes, quer “alterar radicamente” a filosofia de despejos da actual gestão camarária liderada por Rui Rio, para evitar casos "desumanos" como o que viu na quarta-feira, nas Fontainhas.

“A ideia da trasladação das pessoas, que originou todo um fenómeno de 'guetização' e desenraizamento vai ter de acabar”, afirmou a propósito da retirada dos moradores do Bairro Nicolau, na escarpa das Fontainhas, para o Bairro do Cerco. “Os despejos têm de ser feitos para casas recuperadas na proximidade. Tem de haver uma reabilitação urbana social para que as pessoas fiquem a viver onde sempre viveram, porque, senão, as Fontainhas deixam de ser as Fontainhas”, alertou o candidato.

Menezes critica “que a filosofia global dos despejos seja feita na base de levar as pessoas para dezenas de quilómetros de distância, cortando relações de vizinhança - às vezes isolando pessoas idosas do seu mundo – aumentando processos de 'guetização', de marginalidade, de delinquência. Acho isso completamente errado e é um ciclo que tem de se inverter na cidade”, defendeu.

O autarca referiu-se ainda ao caso das "ilhas" – um fenómeno de urbanização “informal” típico do Porto - dizendo que algumas delas terão “eventualmente de ser transformadas, humanizadas e mantidas”.  Mas, acrescentou,  “se algumas delas tiverem de ser destruídas, temos de ali ao lado encontrar casas, recuperá-las e manter as pessoas  a viver onde sempre viveram”.

Num comentário feito poucos minutos depois de inaugurar um jardim junto à Ponte Maria Pia, o ainda autarca de Gaia apontou o dedo também à forma como o processo decorreu, anteontem, no lado oposto do rio. “Não concordo com a desumanidade do despejo à martelada, não é o meu estilo”.

E tentou vincar a diferença de estilo em relação à gestão de Rui Rio, com quem está envolvido em polémica: “Fiz centenas de despejos na escarpa da Serra do Pilar, não tive uma manifestação, um protesto, um choro. Por uma razão: um despejo pressupõe despejar pessoas e, quando se despejam pessoas, é preciso falar com elas, porque cada pessoa é a coisa mais importante do mundo para si própria. Desde que dêmos a cada pessoa a importância que ela tem, se o objectivo é nobre, acaba por conseguir-se encontrar soluções”, argumentou.