Helder Moutinho, Maria da Nazaré e Filipa Cardoso vão contar-nos o fado no CCB

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Helder Moutinho: uma nova viagem pelo mistério do fado dr

O CCB desafiou-o a contar histórias do fado cantando-o e Helder Moutinho lançou mãos à obra, para seis noites. Estreia hoje, às 19h

Helder Moutinho já tinha experimentado esta via no disco Que Fado É Este que Trago? (2008), mas um convite que lhe foi feito há um ano pelo Centro Cultural de Belém permite-lhe agora dar nova forma à ideia de contar o fado cantando. "Eu já tinha feito na altura da Expo"98 uma coisa que se chamava Novas Vozes do Fado Antigo", diz Helder ao PÚBLICO. "Agora, quando o CCB me lançou este desafio, pensei: porque não fazermos uma coisa que, em termos de espectáculo, fizesse o seguimento?" Então, Helder convidou para cantar com ele duas fadistas com percursos distintos, Maria da Nazaré ("uma grande referência, uma grande contadora de histórias enquanto fadista") e Filipa Cardoso ("uma fadista castiça, urbana, com uma garra tremenda não só nos fados como nas marchas"), além dos três músicos que vão estar com eles em palco: Ricardo Parreira (guitarra portuguesa), Marco Oliveira (viola de fado) e Fernando Araújo.

A estrutura e a lógica do espectáculo, que decorrerá às quintas, sextas e sábados no Pequeno Auditório do CCB, em Lisboa (dias 1, 2, 3, 8, 9 e 10 de Agosto, sempre às 19h), são explicadas numa folha de sala, distribuída à entrada. Os fados encarregar-se-ão de "explicar" ao público o resto, como diz Helder: "O alinhamento funciona em redor das várias fases que o fado teve, desde o aparecimento da guitarra portuguesa (e aqui faz-se referência ao Armandinho), passa pelos três clássicos que são a base do fado, o Corrido, o Menor e o Mouraria, depois vai dos clássicos para os tradicionais, com a estrutura das quadras, das quintilhas, etc., da poesia popular. Cantam-se em seguida os compositores-guitarristas e depois alguns dos compositores-fadistas-cantores, como foi o caso do Alfredo Marceneiro e do Joaquim Campos."

Depois passam para o fado-canção. "A fase dos grandes maestros, quando os fados começam a ter refrão". Depois, "há uma breve passagem pelo fado cantado no teatro de revista e pelas marchas populares". Até chegar à segunda metade do século XX e aos dias de hoje. "Com as coisas do Alain Oulman e Um Homem da Cidade, do Carlos do Carmo, que foi um disco que, tal como o Com que Voz da Amália, também marcou um tempo interessante no desenvolvimento do fado. Depois voltamos ao início de tudo. Terminamos com fados tradicionais e com quadras soltas sobre o Fado Menor."

Apesar de o guião ser o mesmo para as seis noites, os fados que exemplificam cada género podem mudar, diz Helder Moutinho. Não tem nada em mente para os encores, se os aplausos os forçarem a isso, mas no fado essa preocupação não existe. Helder: "Muita da energia que o fado tem é o mistério do acontecer ou não acontecer. E é isso que queremos de alguma forma transmitir às pessoas. Isto não é um espectáculo científico-didáctico, é uma viagem. Se as pessoas quiserem, e gostarem, podem depois ler mais, ouvir mais, ir ao Museu do Fado, aos livros do Rui Vieira Nery..."