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O elogio da mulher

Não é por acaso que a mulher está, lentamente, a tomar conta de todos os lugares que antes pertenciam aos homens, e que foram desenhados por homens para homens

Não gosto de pensar o mundo em termos maniqueístas. A construção de estereótipos demasiado marcados pode até facilitar a compreensão mas o custo é grande: passamos a compreender um mundo distorcido e não o real… Ainda assim, há tipos que podemos definir e é facto assente que homens e mulheres são diferentes! Somos da mesma espécie mas temos características próprias, diferenciadoras, que nos tornam desiguais. Em média, as mulheres são mais baixas, têm um crânio mais pequeno e têm menos massa muscular mas têm mais conexões neuronais, são mais resistentes à dor e à doença e vivem mais anos. São mais desenvolvidas na fala e são melhores no "multitasking". Comportamentalmente, tendem a ser conciliadoras, diplomatas e resistentes e eficazes perante as dificuldades. Tendem a perder-se menos nos vícios da droga, jogo ou álcool. E se também podem ser mais dissimuladas, insidiosas e perigosas, não têm a violência à flor da pele, não têm a necessidade constante de se afirmarem pela competição e estão sempre mais disponíveis para a tolerância e para ajudar os outros.

É certo que todas as qualidades e defeitos de um ser humano podem estar presentes numa mulher e há mulheres que matam os filhos (mas quantas vezes por depressão pós-parto), envenenam os maridos (mas muitas vezes como último recurso para terminar com a violência doméstica reiterada) ou exercem diversos tipos de violência psicológica. Mas os factos não mentem: não são as mulheres que abusam das crianças nos orfanatos, não são as mulheres que matam pessoas numa briga de trânsito, não são elas as responsáveis pelo holiganismo nem pelos gangues, enfim, não são as mulheres que tipicamente assaltam, assassinam e violam. O número de criminosos supera em várias vezes o das criminosas! Não são as mulheres que chefiam as máfias (são raríssimas as baronesas da droga), não são as mulheres que conduzem e ordenam massacres e genocídios e, mais prosaicamente, não são as mulheres que facilmente renegam os filhos porque querem ter outra vida ou porque não concordam com as escolhas dos mesmos.

Talvez a culpa seja da testosterona… E se essa hormona pode ter sido útil em tempos imemoriais em que a luta contra os perigos da selva exigia respostas rápidas, adrenalina, força muscular e agressividade, no mundo moderno em que viemos, nas sociedades complexas que habitamos, esses instintos são cada vez mais desadequados. Pelo contrário, precisamos é de inteligência, moderação, temperança, tolerância, capacidade de diálogo e de negociação. E aí as mulheres estão em vantagem. Por isso vos faço este elogio.

Não é por acaso que a mulher está, lentamente, a tomar conta de todos os lugares que antes pertenciam aos homens, e que foram desenhados por homens para homens – nas escolas, nos hospitais, nos tribunais. Só nos conselhos de administração das grandes empresas e nas forças da ordem ainda há uma predominância clara dos homens. Mas até isso mudará e o futuro das empresas e da política poderá bem vir a ficar, também, nas mãos das mulheres.

Estou convencido de que a evolução do ser humano se fará na direcção de uma diminuição dos níveis de agressividade e de força física característicos dos homens. Ou seja, antevejo uma humanidade mais feminina, embora sempre com diferenças entre homens e mulheres.

Sempre gostei de ser homem e não queria ter sido outra coisa. Orgulho-me da virilidade e energia que a masculinidade me confere. Mas penso que temos todos a ganhar em perceber a força delas e tentar emular esse lado positivo, aliando-o às nossas vantagens (a nossa capacidade de foco, de raciocínio abstracto e de força física). Mais que isso só admirá-las nas suas qualidades de mães (ninguém consegue amar como uma mãe), de amantes e fonte do nosso desejo (uma mulher bela é a mais sublime das criações da natureza) e de amigas.