Reacções a Cavaco: PSD promete novo ciclo, CDS lembra remodelação

PS "respeitará decisão no plano institucional", BE critica decisão de manter Governo "condenado ao insucesso". PCP diz que Cavaco assume agora todas as consequências da acção governativa.

Foto
Enric Vives-Rubio

“Um novo ciclo de acção do Governo” que se caracterizará pelo crescimento económico e combate ao desemprego, foi anunciado pelo vice-presidente do PSD, Pedro Pinto, ao reagir à decisão do Presidente de não convocar eleições.

Afirmando que “o PSD está sempre disponível para o diálogo” e sem nunca falar sobre a remodelação do Governo, Pedro Pinto salientou “a forma robusta e clara” como os dois partidos da coligação “ultrapassaram os seus problemas”.

Coube a Nuno Melo, vice-presidente do CDS, referir a remodelação do Governo anunciada pelo primeiro-ministro. Ao referir também ele que “há um novo ciclo” que agora começa, Nuno Melo não perdeu a oportunidade de frisar que esse novo ciclo se concretizará “quer na composição do Governo, quer do ponto de vista substantivo, mais virado para o emprego” e para as empresas. E precisou que “nunca para o CDS esteve em causa uma questão de lugares”.

Em nome do PS, o presidente da Comissão Nacional, Alberto Martins, que representou os socialistas nas negociações para o acordo falhado, afirmou que para o PS o caminho a seguir era o da realização de eleições, mas que este partido “respeitará a decisão no plano institucional”.

Alberto Martins pediu uma mudança de orientação política, garantiu que “o PS tem propostas e soluções” e sublinhou que “a decisão devia ser a de devolver a palavra aos portugueses”.

O coordenador do BE, João Semedo, defendeu que deveriam ter sido convocadas eleições antecipadas e criticou a decisão de Cavaco Silva de manter um Governo “incapaz, desastrado, condenado ao insucesso”, que está “sem crédito, sem legitimidade”. E sustentou que “só um Governo forte, legitimado por eleições, pode ter condições” para “renegociar a dívida”.

Pelo PCP, o secretário-geral, Jerónimo de Sousa, sustentou que ao não convocar eleições , “o Presidente da República assume a inteira responsabilidade de todas as consequências da acção do Governo”.

Jerónimo de Sousa frisou ainda que “o PCP rejeita todas as manobras de incitação ao medo” que considerou que representam os argumentos do Presidente para não antecipar eleições.

Por seu lado, Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, anunciou que esta central sindical poderá convocar uma greve geral, decisão que será analisadaamanhã em reunião da direcção. E desde já garantiu: “Opovo português não vai ficar passivo perante o que se está a passar”, porque “o Presidente da República acabou de confirmar que os portugueses e a democracia são reféns da troika e que a lógica de sacrifícios é para impor ad aeternum”.

No seu comentário semanal na RTP1, o antigo líder do PS, José Sócrates considerou: “ A direita teve aquilo que precisava para governar: um Presidente, um Governo uma maioria. O que eu noto ao fim de dois anos é que para a direita não basta um Governo, um presidente, uma maioria”(…) é preciso “também uma oposição no bolso. Isso é pedir demais.”