Seguro alerta para “jogo do passa-culpas”

Líder do PS diz que não troca “ideias e propostas para Portugal por eleições”.

Torres Couto entende que Seguro não conseguirá obter uma maioria absoluta
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Seguro diz que o PS deve aproveitar os próximos dias para explicar as suas propostas Miguel Madeira

Depois do fracasso do diálogo para o compromisso de salvação nacional pedido pelo Presidente da República, o secretário-geral do PS antecipou esta sexta-feira os próximos passos da maioria.

Na reunião da Comissão Política do PS, António José Seguro alertou para o “jogo de passa-culpas” que está a caminho. Na sua intervenção final, o líder socialista deu a entender que a carta de Jorge Moreira da Silva, vice-presidente do PSD, a pedir mais uma reunião faz parte de uma estratégia para apontar ao PS a responsabilidade do falhanço de um acordo.

Seguro sustentou depois que o PS devia evitar essa discussão e aproveitar os próximos dias para explicar e divulgar as propostas que estiveram em cima da mesa e insistir na postura de boa-fé com que esteve no processo.

A reunião serviu também para Seguro apresentar aos dirigentes do PS as propostas que colocou em cima da mesa, elencando mesmo algumas como sendo de difícil defesa perante a opinião pública. “Não troco as minhas ideias e propostas para Portugal por eleições”, disse no Largo do Rato.

Ao longo da reunião, foi significativo o número de intervenções a apoiar a decisão do secretário-geral. Ainda assim, também se ouviram vozes a lamentar o facto de não ter sido possível o acordo, como foi o caso do membro do secretariado João Ribeiro, que aproveitou também para assinalar o facto de terem surgido do interior do PS, ao longo da semana, posições públicas contra o sucesso do processo de diálogo.

Onde não houve contestação foi sobre a disponibilidade do PS dialogar com a direita.

Ao longo da noite foram-se também conhecendo mais alguns pormenores sobre o processo. Da parte do PS, veio a garantia de que houve abertura para cedências. Um dirigente do PS deu mesmo exemplo de algumas das medidas propostas em que a delegação socialista admitia algum recuo – como a defesa, junto da União Europeia, do desenvolvimento do Fundo Financeiro de Recursos Endógenos, para financiar projectos como o desenvolvimento do perímetro de rega do Alqueva, ou a criação do Fundo de Redenção para suportar parte das dívidas soberanas dos Estados-membros, na eventualidade de haver resistências de Bruxelas.

Mas, em contrapartida, existiam matérias “nucleares” para os socialistas. Desde logo, em relação aos cortes de 4,7 mil milhões. Mas também aí, os socialistas não deixaram de fazer notar que a negociação sempre se revelou difícil, tendo em conta que sobre esse assunto o documento “era muito pouco concreto”. “Não soubemos ao longo do processo, na prática, o que representavam esses 4,7 mil milhões”.

Ainda assim, no Largo do Rato assinalou-se a diferença entre as posições do PSD e do CDS no processo de diálogo. O partido de Passos Coelho apresentou dois documentos depois de serem trocadas as propostas na quarta-feira. O CDS fê-lo apenas uma vez mas com evoluções significativas – do ponto de vista do principal partido da oposição – em relação à posição inicial