Menos doentes saídos dos hospitais e mais óbitos

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Em 2012 saíram menos cerca de 150 utentes por dia nos hospitais Paulo Pimenta

Relatório sobre morbilidade hospitalar aponta para decréscimo da produção no ano passado, face a 2011 e 2010

A média de utentes que diariamente são atendidos e tratados nos hospitais públicos do Continente diminuiu no ano passado em comparação com os dois anos anteriores e a taxa de letalidade (percentagem de óbitos) dos doentes internados subiu ligeiramente, indicam os dados preliminares do Relatório sobre Morbilidade Hospitalar de 2012 da Direcção-Geral da Saúde (DGS), este ano divulgado pela primeira vez em tempo recorde.

Foram menos cerca de 150 utentes saídos por dia nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde: se, em 2010 e 2011, a média de pessoas atendidas diariamente rondou as 5300, no ano passado baixou para cerca de 5150. Quanto à percentagem de óbitos no total de doentes que passaram pelos hospitais públicos ao longo do ano passado, esta subiu de 2,3% em 2011 e 2,32 em 2010 para 2,5% no ano passado.

São números que Paulo Nogueira, um dos responsáveis pela compilação destes dados na Direcção-Geral da Saúde, prefere interpretar com cautela. Para o especialista, o decréscimo da produção hospitalar registado não é acentuado, tal como não é significativo o aumento da percentagem de óbitos no total dos internamentos.

"Era de esperar [que a taxa de letalidade aumentasse]", tendo em conta a evolução demográfica, justifica. "A população vai ficando cada mais velha e, apesar de as pessoas morrerem mais tarde, são cada vez mais as que morrem nos hospitais", acrescenta.

Os dados agora conhecidos, que este ano foram sistematizados de uma forma muito célere (a pouco mais de seis meses de distância do final de 2012), incluem pela primeira vez um indicador importante - a taxa de reinternamentos nos hospitais. Em 2012, pode agora concluir-se, a percentagem de doentes que tiveram um segundo internamento ascendeu a 27,77% do total.

Relativamente aos dias de internamento (6,5 milhões), houve uma diminuição em comparação com os dois anos anteriores. Um fenómeno que se fica a dever também ao facto de a maior parte dos casos que implicaram tratamento hospitalar no ano passado serem situações que não obrigaram a internamento, por terem sido resolvidos no próprio dia (o chamado ambulatório), o que é considerado um bom indicador pelos especialistas.

De resto, à semelhança do que aconteceu nos outros anos, os homens passaram mais tempo internados nos hospitais do que as mulheres e a percentagem de óbitos também foi superior (2,89% e 2,16% de taxa de letalidade, respectivamente).

Os grupos de doenças com percentagens de óbitos mais elevadas foram as patologias e perturbações do aparelho respiratório, as neoplasias (cancros), as doenças do aparelho circulatório e as patologias e perturbações do sistema nervoso, seguidas das doenças do aparelho digestivo.

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