Grécia descobre nova fraude em larga escala com falsos cegos

Pessoas apoiadas pelo Estado por serem invisuais não sofriam afinal da doença. Governo aperta na fiscalização.

Dois terços dos moradores de cinco ilhas gregas que recebiam pensões de apoio por serem cegos estavam afinal a receber dinheiro indevidamente. Uma inspecção do ministério da Saúd everificou que 100 das 152 pessoas apoiadas afinal não sofriam da doença. Não é a primeira fraude do género a ser descoberta.

Na edição inglesa do jornal grego Kathimerini a notícia surgiu no final de sexta-feira: dois terços dos 152 residentes apoiados pela IKA, o principal fundo estatal de apoio social, nas ilhas de Kalymnos, Leros, Astypalaia, Patmos e Loipsoi, eram saudáveis.

Há precisamente um ano foi detectada uma fraude semelhante., mas de dimensão muito superior. Na altura, de acordo com diferentes jornais internacionais, o Governo detectou que a esmagadora maioria dos 700 invisuais da ilha de Zakynthos não sofria afinal de cegueira. Dos 700 casos avaliados – que a serem verdade representariam 2% de cegos entre a população daquela ilha –, apenas 100 se confirmaram como verdadeiros. O resto, que recebia como toda a gente um suplemento mensal de cerca de 360 euros, andava a enganar o Estado.

Na chamada "ilha dos cegos", mais conhecida pelo mundo devido às suas ruínas e ao mar calmo e azul turquesa, o Estado acabou por reclamar o dinheiro de volta, castigando a população que beneficiou ilegitimamente daquela quantia. Entre eles encontravam-se estudantes, um taxista e um caçador.

Nesta semana, também na ilha de Rhodes foram encontradas situações fraudulentas. Segundo o mesmo jornal grego, entre 125 casos, nove não se confirmaram como apoios legítimos. Uma proporção bem menor do que nas restantes, ainda assim.

As fraudes são um um problema sério num país afogado em dívida e desemprego e onde a população tem sofrido cortes salariais, nas pensões e nos benefícios sociais. Segundo estimativas citadas pela revista alemã Spiegel, a fraude social custa ao estado grego 500 milhões de euros por ano. Por essa razão, o governo grego tem apostado no combate a estas situações.

O ministro do Trabalho e da segurança Social, Yannis Vroutis, afirmou num comunicado que o Estado vai exigir o reembolso de todas as prestações sociais pagas indevidamente ao longo dos anos, segundo noticia a AFP.