PS reúne com BE e defende que não faz sentido diálogos paralelos

Os diálogos interpartidários são "essenciais" mas o PS "dispensa este jogo partidário" do BE e do PCP, que decidiram dar início a encontros paralelos.

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Miguel Manso

O encontro entre o BE e o PS, no Largo do Rato, em Lisboa, durou pouco mais de uma hora. Mas à saída da reunião, o PS emitiu um comunicado no qual clarifica que o partido não estará em processos de diálogo paralelos. Para já, os socialistas continuam sentados à mesa com o PSD e o CDS.

"O PS insistiu que nesse processo participassem todos os partidos políticos. O PCP e o BE excluíram-se desse diálogo. Fizeram mal", lê-se no comunicado remetido pelos socialistas.

O PS acusa bloquistas e comunistas de terem entrado numa "competição" em que cada um dos partidos lança processos de diálogo: "O país dispensa este jogo partidário. O PS não entra neste jogo partidário".

O partido liderado por António José Seguro reitera que está empenhado no processo de diálogo com todos os partidos e lamenta que BE e PCP tenham recusado dar o seu contributo à mesa das negociações. "Para o PS, o que está em causa não é salvar este Governo que tem os dias contados. Para o PS o que está em causa é salvar o país", concluem.

O coordenador do BE, João Semedo, desafiou nesta terça-feira de manhã os partidos de esquerda para o encontro rápido de soluções que permitam ao país sair do "pântano político" em que está mergulhado há três semanas. Os encontros teriam como objectivo a constituição de uma base programática para um governo de esquerda.

"Para assumir toda a sua responsabilidade por uma solução democrática, o BE propõe tanto ao PS como ao PCP a abertura de um processo de discussão e aprovação das bases programáticas de um governo de esquerda. Propomos que essas conversações se façam sem qualquer condição prévia e no mais curto espaço de tempo", pode ler-se na declaração aprovada pela comissão política do Bloco, que se realizou na segunda-feira à noite, e que foi divulgada hoje.