Directora-geral do Tesouro e Finanças pede demissão

O nome de Elsa Roncon Santos, que será ouvida nesta terça-feira no Parlamento, surgiu envolvido na polémica dos swaps.

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O objectivo do défice para 2014 é de 4% do PIB Miguel Manso

Nos últimos meses, o nome de Elsa Roncon Santos surgiu envolvido na polémica dos contratos swap, não só por liderar o organismo que supervisiona o desempenho financeiro as empresas do Estado, mas também porque passou por empresas que subscreveram este tipo de contratos.

A directora-geral da DGTF foi assessora da administração da CP entre Novembro de 2009 e Julho de 2010. Antes tinha ocupado o cargo de presidente da Fernave e da Ecosaúde, duas empresas que fazem parte do universo do grupo CP. Até 2002, foi vogal do conselho de administração da REFER, com o pelouro financeiro. Neste período, trabalhou directamente com a actual ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que foi directora financeira da empresa entre 2001 e 2007.

Não são ainda conhecidas as razões por detrás do pedido de demissão de Elsa Roncon dos Santos. O Correio da Manhã avança que terá havido divergências entre a equipa da DGTF e Maria Luís Albuquerque, ex-secretária de Estado do Tesouro que subiu a ministra das Finanças na sequência da demissão de Vítor Gaspar.

A notícia sobre a demissão da directora-geral da DGTF surge no dia em que será ouvida no Parlamento pelos deputados da comissão de inquérito aos swaps subscritos por empresas públicas. Elsa Roncon Santos foi chamada para explicar que controlo foi feito da celebração destes derivados e que conhecimento tinha o organismo das perdas potenciais que acumularam.

No total, 15 empresas públicas subscreveram este tipo de produtos, tendo acumulado um risco de prejuízo de 3000 milhões de euros. Seis das empresas contratualizaram swaps considerados especulativos, por não se destinarem apenas a cobrir o risco de variação das taxas de juro, numa auditoria conduzida pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP).

O Governo decidiu encetar, desde Novembro de 2012, negociações com os bancos para reduzir as perdas potenciais associadas a estes contratos, tendo liquidado até aqui 69 derivados e pago aos bancos cerca de 1000 milhões de euros.