Torre dos Clérigos terá nova entrada e espaço museológico e vai dar uma ajuda aos mais baixos para ver a vista

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A torre é monumento nacional e tem 240 degraus rui farinha

Concurso público para a empreitada geral será lançado ainda em Julho e obras deverão estender-se por nove meses

Quando o projecto de reabilitação dos Clérigos estiver concluído, o visitante passa a entrar na igreja, na torre e no novo espaço museológico que lá irá surgir pelo lado oposto ao que hoje utiliza. Fecha-se a porta da Rua Senhor Filipe de Nery e abre-se uma nova, na Rua da Assunção.

Se se cumprir a vontade do padre Américo Aguiar, presidente da Irmandade dos Clérigos, as novidades do espaço, desenhadas pela Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN), serão apresentadas à cidade a 12 de Dezembro de 2014. Um desejo "possível e realista", garante a responsável da DRCN, a arquitecta Paula Silva.

O concurso público para a grande empreitada de reabilitação da igreja, antiga enfermaria e torre dos Clérigos vai ser lançado "ainda este mês", garantiu ao PÚBLICO Paula Silva. E, depois, a previsão é que nove meses bastem para que os novos Clérigos se apresentem aos portuenses. Por fora, quase não se vai notar a diferença. E, por dentro, as maiores alterações vão ocorrer na parte do edifício imediatamente colado à torre, já que a igreja, a zona da sacristia e as salas usadas pela Irmandade (como o Salão Nobre) irão ser alvo de "restauro puro", abrindo-se aos visitantes.

Segundo o projecto do arquitecto João Carlos Santos, da DRCN, os visitantes do complexo vão passar a aceder ao interior por uma das portas da Rua da Assunção, com acesso directo a uma zona que, até à data, correspondia à subcave, sendo usada como arrecadação. É aí que ficará instalada a loja dos Clérigos, o elevador e os sanitários - valências hoje inexistentes. "O espaço passará a ter melhores condições de acessibilidade, já que hoje o acesso obriga ao uso de escadas. A nova área de acesso tem relação directa com a Rua da Assunção, que é eminentemente comercial e pedonal, o que também permite que a loja tenha um acesso mais facilitado", explica José Carlos Santos.

Daqui, sobe-se ao primeiro piso, e é aqui que se poderão adquirir os bilhetes para visitar o espaço. Enquanto o acesso à igreja continuará gratuito, os visitantes terão de pagar para visitar a torre, as áreas com o acervo da Irmandade e um novo núcleo museológico que irá nascer no 3.º piso. O que está previsto é que seja possível optar por visitar um ou todos os espaços, estando também em cima da mesa a possibilidade de se adquirir ali um bilhete combinado, que permita o acesso a outros museus da cidade.

Quem quiser subir à torre já não terá de cumprir a ascensão dos 240 degraus se não quiser, uma vez que vai ser possível usar o novo elevador até ao limite do edifício colado à torre. O projecto de José Carlos Santos prevê ainda que a subida à torre possa ser interrompida por momentos de descanso, criando "bolsas de exposição" em cada um dos seus quatro patamares. "Os espaços já existem, mas estão atrás de portas fechadas. Queremos abri-las, para que as pessoas possam descansar e descobrir mais, ao mesmo tempo que se facilita o cruzamento de quem sobe e quem desce", explica o arquitecto.

Lá em cima, apreciar a vista sobre a cidade também será mais fácil. Em cada um dos quatro cantos da torre serão instalados "leitores de paisagem" - placas informativas com o perfil do que se está a ver, com os principais monumentos devidamente identificados - e o perímetro do espaço vai ser munido de uma plataforma, para que os mais baixos possam ver o Porto sem problemas. "O varandim é muito alto e o que se verifica é que as pessoas mais baixas têm dificuldade em ver a paisagem, e mesmo os mais altos têm uma perspectiva cortada. Com esta plataforma criamos uma elevação, que permite resolver este problema", diz José Carlos Santos.

No edifício da antiga enfermaria, ao nível do 3.º piso, já foram demolidas as paredes que cortaram a vasta galeria, transformando-a em três salas mais pequenas, para "devolver ao espaço a sua dimensão original", realça o arquitecto. É aqui que irá ficar aquilo que, para já, se designa como "Museu dos Cristos" - o espólio de um coleccionador que ao longo de 50 anos congregou centenas de imagens de Cristo, do século XII até à actualidade. A transferência do espólio para a Irmandade ainda não está formalizada pelo que, salvaguarda Paula Silva: "Se a exposição não for de Cristos será de outra coisa qualquer".

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