Passos assume divergências na coligação. Portas encerra estado da nação

Líder da bancada social-democrata avisa que o PSD não desiste. CDS não aplaude.

Foto
Miguel Manso

Em resposta ao líder da bancada do PSD, Passos Coelho reiterou que não se demitia. "Temos tido dificuldades grandes na negociação com a troika. Não é simples mudar o que ficou escrito. Não é fácil mostrar que temos os meios financeiros para cumprir os nossos compromissos", afirmou. Passos Coelho assumiu as divergências na sequência da dificuldade de negociar com a troika.

"Essas adversidades criaram tensão política mesmo dentro do Governo e da coligação. E não aconteceram por razões menores. Elas aconteceram na quinta e na sétima avaliação", afirmou, acrescentando que foram os exames em que o Governo teve de fazer "escolhas mais dolorosas para o país". 

Passos Coelho respondia a Luís Montenegro, que declarou: "Nós no PSD não desistimos." A bancada centrista não bateu palmas, deixou os sociais-democratas a aplaudirem sozinhos.

Nuno Magalhães, líder  da bancada centrista, sublinhou a celeridade com que os dois partidos se entenderam no Governo depois de a coligação quase se ter rompido. E referindo os sinais positivos da economia, designadamente o crescimento das exportações. Magalhães deixou "uma palavra" ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, e ao ministro da Economia, Santos Pereira, provocando risos nas bancadas da oposição.  

Na resposta ao CDS, Passos Coelho partilhou a ideia da celeridade com que os dois partidos da coligação se entenderam depois do pedido de demissão de Paulo Portas do Governo. O acordo foi feito "num tempo que o país percebeu". E garante que saiu reforçado: "Este Governo está pronto para lidar com todas as adversidades futuras."

Mas deixou sua posição quanto ao pedido de demissão de Portas e deu garantias ao Presidente da República. "O que se passou não devia acontecido. Temos de demonstrar que não voltará a acontecer e isso merece o esforço de todos nós", afirmou Passos Coelho.

Caberá a Paulo Portas encerrar o debate do estado da nação. Será a primeira vez que o líder do CDS fala publicamente desde o seu pedido de demissão de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, no passado dia 2 de Julho.

Como sinal de disponibilidade para um entendimento com o PS, o primeiro-ministro disse ter decidido não aprovar medidas que já estavam prontas para evitar o "facto consumado".