Parlamento discute quinta-feira moção de censura apresentada pelos Verdes

Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu que a certidão de óbito deste Governo foi passada por Cavaco Silva e insistiu na necessidade de o país ir a votos.

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Os deputados d'Os Verdes são eleitos nas listas do PCP mas forma uma bancada autónoma Miguel Manso

Heloísa Apolónia anunciou nesta sexta-feira a última moção de censura possível desta sessão legislativa, que deverá dar entrada no Parlamento logo no início da semana e terá de ser discutida, conforme obriga o regimento parlamentar, nos três dias seguintes. Será na quinta-feira que o Governo de Passos Coelho enfrentará a quarta moção de censura desta sessão legislativa.

Mas logo depois do anúncio, durante o  debate do estado da nação, o primeiro-ministro respondeu que é "bem-vinda", porque "mostrará a maioria coesa".

 Heloísa Apolónia justificou a apresentação da moção com o facto de “este Governo já não representar mais a população portuguesa”.

“Este Governo apodreceu a vida política”, defendeu a líder parlamentar do partido.

Passos Coelho não se mostrou, no entanto, preocupado. "É muito bem-vinda a moção de censura, porque permitirá mostrar que esta maioria está coesa", afirmou Pedro Passos Coelho na resposta.

De certa maneira, é como um favor ao Governo, no seio do qual desde a semana passada se fala da hipótese de apresentar uma moção de confiança ao Parlamento. Com esta iniciativa, poupa esta munição política.

Antes, Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, apontou a “coragem dos portugueses” que “provocou derrota e falta de futuro” do Governo, face ao “quadro de pressão” da mensagem “conformem-se, resignem-se”.

“Eis que o Presidente da República, que recentemente dizia que não tinha poderes é o mesmo que aparece a querer promover um governo”, afirmou Jerónimo, esclarecendo que o chefe de Estado “fez uma proposta para salvar a política de direita”. 

O primeiro-ministro voltou a falar do “novo ciclo, apesar de não ter usado esse termo”, usando “aquele discurso dos sinais, do ‘pior já passou’”, analisou o secretário-geral comunista. “Está a querer enganar quem?” questionou, apontando o “Orçamento duríssimo” que o primeiro-ministro vai apresentar. “É por estas e por outras que os senhores não têm futuro”, rematou.
 
Na declaração final do PCP, Jerónimo de Sousa afirmou que “o Governo está morto e foi a luta que o matou”, acrescentando que “até o Presidente da República passou a certidão de óbito, mantendo-o tão-só ligado à máquina”.

O chefe de Estado, com “total desrespeito pelo normal funcionamento das instituições”, quer “perpetuar o massacre ao povo”, propõe um “compromisso para a continuação da destruição nacional”, evitando eleições. Porque, justificou o líder comunista, “teme que o povo possa escolher outro caminho, porque sente que cada vez mais portugueses percebem que é preciso mudar a correlação de forças”.

“Não há nenhuma outra saída digna e democrática para a pantanosa situação que vivemos que não seja a demissão do Governo, a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições”, reafirmou o secretário-geral comunista.

Jerónimo de Sousa reforçou que é necessária uma “política que exija a renegociação da dívida para um nível compatível com o crescimento económico”, afirmando que “os credores têm força, mas os devedores também têm direitos”.

“Rejeitamos a ameaça com que a direita, o Presidente da República e o capital pretendem enganar os portugueses”, declarou o secretário-geral do PCP, afirmando que tem “confiança que o povo português será capaz de abrir caminho novo de esperança” para o país. “Nada está perdido para sempre”, concluiu.