Passos “totalmente empenhado” em conseguir acordo pedido por Cavaco

Já o CDS insiste que propôs Governo de legislatura mas está aberto ao diálogo.

Cavaco Silva voltou a receber Passos Coelho no Palácio de Belém, onde esta fotografia foi tirada, em 2011
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Cavaco Silva voltou a receber Passos Coelho no Palácio de Belém, onde esta fotografia foi tirada, em 2011 Miguel Manso

Fonte oficial do gabinete do primeiro-ministro afirmou ao PÚBLICO que Passos Coelho está empenhado em obter acordo pedido por Cavaco Silva

“O primeiro-ministro manifestou-se totalmente empenhado em que se possa encontrar um acordo com as características que o Presidente da República enunciou”, disse mesma fonte.

Já Nuno Magalhães, do CDS, numa declaração aos jornalistas no Parlamento, sem perguntas, foi lacónico sobre as conclusões da reunião da comissão executiva do CDS que se realizou ao princípio da tarde de quinta-feira antes de Paulo Portas ir ao Palácio de Belém.

Em dois pontos, o CDS insistiu assim na solução proposta por Passos Coelho na passada sexta-feira, que promovia Paulo Portas a vice-primeiro-ministro, e que o Presidente da República não aceitou para já.

Por outro lado, Nuno Magalhães manifestou a disponibilidade do partido para o diálogo.

"Tendo o Presidente tomado uma iniciativa nesse sentido [o compromisso com o PS], o CDS tem uma posição construtiva", afirmou.

PSD, CDS e PS em Belém

Ao longo do dia, Passos, Portas e Seguro reuniram-se com Cavaco Silva em Belém.
Secretário-geral do PS foi o primeiro líder partidário a ser recebido por Cavaco Silva depois da declaração do Presidente de quarta-feira à noite. O líder do CDS foi o segundo, seguiu-se Pedro Passos

A reunião entre o primeiro-ministro e o Presidente da República, no Palácio de Belém, demorou 1h30. O site da Presidência da República dá nota destes encontros com o objectivo de "analisar a proposta de compromisso de salvação nacional que ontem [o Presidente da República] apresentou aos portugueses.

O encontro entre António José Seguro e Cavaco Silva foi o primeiro da ronda de reuniões que o Presidente anunciou que iria fazer "de imediato" com os líderes partidários para analisar a solução que propôs de um "compromisso de salvação nacional".

Segundo um breve comunicado, o PS confirmou a reunião e acrescenta apenas que "o secretário-geral do PS ouviu o senhor Presidente da República e vai agora ouvir os órgãos próprios do PS". Para o fim da tarde está marcada uma reunião do secretariado nacional, mas é de prever que Seguro venha a convocar para breve a comissão política nacional.

Paulo Portas foi também recebido esta quinta-feira à tarde em Belém, tal como Pedro Passos Coelho, mas o primeiro-ministro será o último dos três líderes partidários a conversar com Cavaco Silva. Paulo Portas terá ido a Belém informar o Presidente de que a direcção do CDS aguarda esclarecimentos.

Segundo o PÚBLICO apurou, a direcção do CDS concluiu que entre os dirigentes há interpretações divergentes sobre as intenções do Presidente da República. Portas saiu directamente da sede do CDS para o Palácio de Belém, fazendo terminar mais cedo a reunião da comissão executiva do partido, que foi convocada nesta quinta-feira de manhã.

António José Seguro reuniu-se três vezes com Cavaco Silva no espaço de nove dias, desde que eclodiu a actual crise política. Logo no dia 1 de Julho, na sequência da demissão do ministro das Finanças Vítor Gaspar, Seguro pediu uma audiência com carácter de urgência ao Presidente da República, que só o recebeu no dia 3, já depois do anúncio da demissão de Paulo Portas de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

No final desse encontro, que demorou mais de uma hora, o líder do PS afirmou que a reunião tinha sido "muito positiva", mas reafirmou que os socialistas insistem na necessidade de eleições antecipadas, sem as quais não estariam disponíveis para ir para o governo.

Depois de os líderes do PSD e do CDS terem proposto a Cavaco a sua solução de governo de coligação, em que Portas ficaria como vice-primeiro-ministro, o Presidente abriu uma ronda de audiências com os partidos.

Seguro voltou então a Belém com o seu núcleo duro e saiu da reunião afirmando que um quadro de maioria parlamentar não chega para garantir a estabilidade, "como prova o que se passou na última semana", insistindo na necessidade de um governo com nova legitimidade para renegociar com a troika.

Este terceiro encontro, realizado esta quinta-feira, antecedeu mesmo a reunião do secretariado do PS, que Seguro marcou para as 18h e depois foi alterada para as 19h30 horas devido ao atraso dos trabalhos parlamentares.