Presidente termina três dias de audições e pode pôr ponto final no suspense político

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PSD foi dizer a Cavaco que há "todas as condições de estabilidade e de coesão" para governar Enric Vives-Rubio

Cavaco Silva deve falar hoje ao país.

Cavaco Silva terá hoje o reverso do eco das audiências de ontem no Palácio de Belém. Depois de ter recebido os parceiros de coligação e os líderes das confederações patronais sob o mote da estabilidade, hoje é expectável que os secretários-gerais da CGTP e da UGT manifestem ao Presidente da República a necessidade de um novo ciclo político.

Foi isso que já fez ontem o secretário-geral do PS, António José Seguro. O socialista, à semelhança do que tinham feito na véspera os restantes partidos da oposição, insistiu na necessidade de o país ir a votos. E deixou, em simultâneo, uma posição clara: o PS não integrará qualquer solução governativa que não saia das urnas.

Depois de uma ronda de audições que dura há já três dias, o Presidente da República deverá então comunicar ao país o seu aval à remodelação governativa concertada entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Mesmo que haja ajustes. A ausência da convocação do Conselho de Estado, passo indispensável para a dissolução da Assembleia da República, indicia que o Presidente não usará a chamada "bomba atómica".

Os dois parceiros de coligação do Governo levaram até ao Palácio de Belém garantias de estabilidade e de uma solução política "sólida e abrangente", dois adjectivos utilizados por Paulo Portas. Nas suas primeiras declarações após o pedido de demissão e o anunciado recuo na semana passada, o presidente do CDS e ainda ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros fez-se acompanhar de uma comitiva de peso. Nuno Melo, "vice" do partido, Nuno Magalhães, líder parlamentar, Assunção Cristas e Pedro Mota Soares, os dois ministros centristas, ouviram Portas dizer a Cavaco que o valor da estabilidade política "é relevante" e que houve "empenho" e "vontade" dos dois partidos de coligação para prosseguir.

Sem que seja ainda vice-primeiro-ministro, o líder do CDS deu já sinais de tutelar a coordenação económica, como avançou na semana passada o primeiro-ministro. Ontem, reforçou que, a par da conclusão do programa de assistência económica e financeira, é preciso apostar no crescimento e no emprego na segunda metade que resta à actual legislatura.

Em sintonia, o vice-presidente do PSD, Jorge Moreira da Silva, disse ter transmitido ao chefe de Estado que há "todas as condições de estabilidade e de coesão" para governar. E que a "precipitação de um acto eleitoral", em resposta ao PS, comprometeria o resultado dos sacrifícios feitos pelos portugueses em dois anos.

As garantias deixadas pelos dois partidos não convencem, no entanto, o líder do PS. Um quadro de maioria parlamentar não basta para garantir estabilidade e é preciso um Governo com uma nova legitimidade para renegociar com a troika, insiste Seguro.

Mas os presidentes das diversas confederações patronais discordam. Antecipar eleições traria maior instabilidade e contribuiria para "minar" ainda mais a "confiança", esse "valor" indispensável às empresas e às famílias. E que, com "irresponsabilidade", foi posto em causa com a crise política em que repousa o país há uma semana. Foi esta a mensagem que António Saraiva, presidente da CIP, transmitiu a Cavaco. Apelos à estabilidade também dos presidentes das Confederações do Turismo e da Agricultura. Sem comentar o "xadrez político", João Vieira Lopes, da Confederação de Comércio e Serviços, sublinhou que o importante é que haja mudança de política económica.