Cavaco Silva deverá anunciar amanhã a sua decisão ao país

O Presidente recebe hoje delegações do CDS, PS e PSD e, à tarde, começa a ronda pelos parceiros sociais.

Terminada amanhã a ronda de audiências que decidiu fazer aos partidos e aos parceiros sociais, e na posse de uma decisão sobre se aceita o novo elenco governamental, o Presidente da República, Cavaco Silva, comunicará uma decisão ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e deverá falar ao país.

Hoje, Cavaco Silva recebe delegações dos dois partidos de coligação que têm estado no centro do furacão político depois da demissão e recuo do líder do CDS, Paulo Portas, e volta a ouvir António José Seguro. Já na semana passada, o secretário-geral do PS esteve em Belém para pedir eleições antecipadas como antídoto para a crise política que deixou o país em suspenso há uma semana.

A mensagem política que o líder do PS levará a Cavaco não deve ser diferente da tese em que tem insistido nos últimos dias: o país deve ir a votos. Ao lado da posição defendida por Seguro estiveram ontem os partidos mais à esquerda. PCP, BE e PEV pediram a Cavaco Silva a dissolução da Assembleia da República em três audiências relâmpago, que duraram em média menos de meia hora. Em Belém, delegações dos partidos defenderam que só a realização de eleições antecipadas permitiria ao país sair do impasse político gerado, faz hoje uma semana, pela demissão de Portas, pela comunicação ao país de Passos Coelho e pelo depois anunciado recuo do líder do CDS e até agora ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Também o governador do Banco de Portugal esteve reunido ontem com Cavaco Silva mas, à saída do encontro de cerca de 45 minutos, Carlos Costa optou por não prestar declarações.

A remodelação entretanto concertada pelos dois partidos de coligação foi descrita pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, como "um remendo de pano velho" que não resolve a "situação insustentável" do país. Para reforçar, Jerónimo insistiu na tese de que, por mais "exercícios e malabarismos" que se façam, "ninguém entenderia" que o Presidente não dissolvesse o Parlamento e optasse por não convocar eleições. Até porque, avisou, isso deixaria Cavaco Silva "comprometido" com as políticas prosseguidas pelo executivo.

A entrega das pastas da troika, reforma do Estado e coordenação económica a Paulo Portas também não convencem o líder do BE, que considerou que este não é mais do que um acordo com "pés de barro". João Semedo deixou em Belém um veredicto: "Um Governo que anuncia na sua composição a inclusão de ministros que dizem hoje uma coisa e fazem outra diferente amanhã é um Governo que perdeu fatalmente credibilidade, reconhecimento, autoridade junto dos portugueses". Revelando a disponibilidade do Bloco para integrar um futuro governo de esquerda, que tenha como alicerce a renegociação da dívida, Semedo deixou ainda em cima da mesa de Cavaco uma proposta de data para as legislativas: 15 de Setembro, duas semanas antes das eleições autárquicas.

Mas o que pensa Cavaco destas propostas, só amanhã o país deverá saber. Ontem, o dirigente do PEV, José Luis Ferreira, adiantou que o chefe de Estado transmitiu que, "até ao momento, ainda não tomou nenhuma decisão". Também os Verdes disseram a Cavaco que este deve fazer uso dos seus poderes constitucionais e convocar eleições.

Hoje, o Presidente recebe delegações do CDS, PS e PSD. Da parte da tarde, começa a ronda com os parceiros sociais ouvindo primeiro os vários líderes das confederações patronais e amanhã os secretários-gerais das CGTP e da UGT. Depois disso, Passos Coelho deverá ser chamado à residência oficial do Presidente da República e só de seguida Cavaco comunicará ao país a sua decisão sobre a solução encontrada pelo actual Governo.

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