Palmas para D. Manuel Clemente, Cavaco Silva e Passos Coelho

Em dia de Entrada Solene na Igreja do Mosteiro dos Jerónimos, D. Manuel Clemente apelou à paz e à concórdia.

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Quase a completar 65 anos, D. Manuel III assume a necessidade de uma renovação da Igreja Nuno Ferreira Santos
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Estiveram presentes na Entrada Solene mais de 300 representantes do clero Nuno Ferreira Santos
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O Presidente da República foi muito aplaudido, à chegada ao Mosteiro dos Jerónimos Nuno Ferreira Santos
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Passos Coelho e Paulo Portas estiveram juntos pela primeira vez em público depois do acordo estabelecido no sábado Nuno Ferreira Santos
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Depois da Entrada Solene, o Patriarca D. Manuel III terá ainda de ser nomeado Cardeal pelo Papa Francisco Nuno Ferreira Santos

A Entrada Solene do novo Patriarca de Lisboa foi marcada, este domingo, pelos aplausos do público presente no Mosteiro dos Jerónimos, e apesar de D. Manuel Clemente ter sido o mais saudado, as palmas soaram com fervor quando se assistiu à entrada do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e, pouco depois, à do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Depois de ter tomado posse como Patriarca de Lisboa, neste sábado, D. Manuel III celebrou, hoje à tarde, a sua primeira missa, na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. A “entrada solene”, que constitui uma apresentação “formal” à diocese de Lisboa, contou com a presença de 278 padres e bispos e 65 cónegos de todo o país bem como de um conjunto de convidados da esfera política e económica.

Entre os convidados, estavam já Paulo Portas e Pedro Mota Soares, que chegaram juntos à cerimónia. Estiveram ainda presentes a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e ainda o secretário de estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.

Durante a homilia, D. Manuel III sublinhou o papel relevante da “igreja portucalense”, bem como de toda a região nortenha que tem vindo a “inspirar a todos, pela capacidade de resistir, recomeçar e inovar”. As palavras de apreço devem-se ao tempo em que o Patriarca de Lisboa assumiu o cargo de Bispo do Porto, onde foi muito acarinhado. “Como tudo na Igreja de Cristo, só em comunhão se serve comunhão”, afirmou na homilia, “assim foi no Porto, como assim é e será em Lisboa”.

D. Manuel Clemente referiu que estes são tempos de renovação para a Igreja, embora tenha garantido que o seu patriarcado “seguirá indicações do sínodo dos bispos e da Conferência Episcopal Portuguesa”.

O prelado, que completará 65 anos no próximo dia 16, apelou ao espírito de união, nos tempos que correm: “Este nosso mundo de hoje em dia precisa urgentemente de comunidades de acolhimento e missão”, até porque falar de Igreja é falar de “comunidade e não de subjectivismos dispersos”.

No culminar de uma semana particularmente frenética para política em Portugal, a mensagem de D. Manuel Clemente foi de apelo à paz e à concórdia: “Diante da complexidade dos problemas, as repostas nem sempre são fáceis”, acrescentou o patriarca na sua homilia. “A concórdia começa nos corações, quando ninguém desiste de ninguém, seja em que campo for.”

O patriarca proferiu uma mensagem de apreço ao seu antecessor, e agora patriarca emérito, D. José Policarpo, reafirmando “a muita gratidão pela amizade” com que sempre o acompanhou, bem como pela “lucidez e generosidade do seu serviço eclesial, dentro e além do patriarcado”.

Nascido em Torres Vedras, em 1948, Manuel José Macário do Nascimento Clemente, licenciou-se em História e em Teologia, tendo sido ordenado presbítero aos 31 anos. Aos 40, foi nomeado cónego da Sé Patriarcal de Lisboa e em 2000, quando completava 52 anos, assumiu o cargo de bispo auxiliar de Lisboa, cujo mandato cumpria até 2007. É nesse ano que Bento XVI o nomeia Bispo do Porto, função que desempenhou até 18 de Maio deste ano, dia em que foi nomeado pelo Papa Francisco como Patriarca de Lisboa, depois de D. José Policarpo ter atingido o limite da idade há cerca de dois anos.